A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu uma investigação para apurar o uso recreativo de óxido nitroso — popularmente conhecido como “gás do riso” — após receber denúncias sobre a circulação da substância no estado. A informação foi divulgada em reportagem exclusiva da Band.
Originalmente destinado a usos culinários e odontológicos, o gás é comercializado em pequenos cilindros, muitas vezes saborizados, comumente aplicados em carregadores de chantilly. No entanto, esses recipientes têm sido desviados de seu propósito inicial e inalados por jovens em festas, com o objetivo de provocar efeitos entorpecentes de curta duração.
“A inalação do gás pode causar danos neurológicos graves e permanentes”, alerta a pneumologista Margareth Dalcolmo, membro titular da Academia Nacional de Medicina. Segundo ela, o uso recreativo da substância representa um risco elevado à saúde, sobretudo em contextos não supervisionados.
Um ouvinte da BandNews FM, que preferiu não se identificar e teve a voz distorcida, relatou ter presenciado o uso do gás por jovens durante uma festa. Segundo ele, os cilindros circulam com facilidade e têm aparência inofensiva, o que dificulta o controle.
Nos Estados Unidos, onde o fenômeno já é mais antigo, o uso recreativo do óxido nitroso tem despertado alertas de autoridades e da imprensa. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o número de mortes relacionadas ao uso da substância aumentou mais de 110% entre 2019 e 2023. Já os casos de exposição intencional reportados aos centros de intoxicação do país cresceram 58% entre 2023 e 2024.
Apesar das denúncias no Rio, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que não há registros, até o momento, de atendimentos relacionados à inalação do gás nas unidades da rede pública.
Importado de outros países para uso culinário, o óxido nitroso também é utilizado por dentistas como anestésico em procedimentos específicos. No entanto, quando inalado de forma recreativa, pode interferir no metabolismo, gerar sensações de euforia e provocar sérios riscos neurológicos, respiratórios e até cardiovasculares, segundo especialistas.
A polícia ainda não detalhou o andamento das investigações nem possíveis responsáveis pela distribuição do gás. A expectativa é que, diante do alerta, a vigilância sobre o comércio e o uso do produto se intensifique no estado.
Veja a reportagem exclusiva da Band:






