A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a saída do país do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, dominaram os pronunciamentos políticos no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (27).
Enquanto parlamentares de oposição comemoraram o resultado das urnas e criticaram o adversário do petista, a maior parte dos deputados da base governista preferiu não se manifestar sobre a eleição. O único representante do PL a ocupar a tribuna para comentar o resultado foi Renan Jordy.
As manifestações ocorreram dois dias depois do segundo turno, em que Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, com mais de 64 milhões de votos. A eleição também foi marcada por questionamentos de Flávio Bolsonaro sobre o processo de votação.
A deputada Renata Souza (Psol) levou uma bandeira do Brasil ao plenário e defendeu o reconhecimento do resultado eleitoral. Dani Monteiro (Psol) mencionou a saída de Flávio Bolsonaro do país, enquanto Verônica Lima (PT) criticou as contestações à vitória do presidente.
Em posição diferente, Renan Jordy reconheceu a eleição de Lula, mas fez críticas ao PT e apresentou previsões negativas sobre o próximo mandato. Já André Corrêa (PSD) defendeu que vencedores e derrotados adotem uma postura de respeito mútuo.
Renata Souza leva bandeira do Brasil à tribuna
A primeira manifestação foi da líder do Psol, Renata Souza, que destacou o significado político da quarta eleição de Lula para a Presidência da República. A parlamentar exibiu uma bandeira nacional e pediu que as câmeras da Assembleia registrassem o gesto.
Segundo ela, os símbolos nacionais pertencem a todos os brasileiros, independentemente de suas preferências partidárias, e devem representar o compromisso com as instituições democráticas. “Essa bandeira aqui não tem ideologia. Essa é a bandeira do povo brasileiro”, declarou.
Renata também criticou tentativas de condicionar o reconhecimento das instituições ao resultado das disputas eleitorais. “O estado democrático de direito não pode ser colocado no balcão de negócios se um lado ganha ou se um lado perde. Ele precisa ser respeitado. O desejo da maioria do povo brasileiro precisa ser respeitado e referendado”, afirmou.
Ao encerrar, a deputada reiterou o reconhecimento da vitória presidencial e defendeu a soberania nacional. “Nós não abriremos mão de defender a democracia, de defender a soberania brasileira, e acima de tudo, de reconhecer enquanto Presidente da República do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.
Saída de Flávio e virada no Rio
Dani Monteiro também comemorou o resultado eleitoral e destacou o crescimento da votação de Lula no estado do Rio de Janeiro entre o primeiro e o segundo turnos.
De acordo com a deputada, o presidente passou de oito para 18 municípios fluminenses em que obteve a maioria dos votos, incluindo a capital. Ela mencionou cidades do interior, como Pinheiral, Barra do Piraí, Mendes, Trajano de Moraes, Laje do Muriaé, Porciúncula e Miracema.
A parlamentar também afirmou que a campanha presidencial ocorreu em um ambiente de interferências de plataformas digitais e do crime organizado. Essas acusações foram apresentadas em seu discurso, sem detalhamento de provas na manifestação.
Ao comentar a situação de Flávio Bolsonaro após a derrota, Dani fez uma crítica direta ao senador. “Então, que bom, uma maré progressista, uma maré de esquerda vem para o Rio de Janeiro, até porque o bolsonarismo anda mal das pernas, porque seu líder acabou de fugir, e isso é um problema, não é? Então, aqui no Rio comemora, a esquerda avança e o bolsonarismo foge”, declarou.
Verônica Lima, do PT, também destacou o resultado das urnas e classificou a reeleição como uma conquista que ultrapassa os limites partidários. “Essa vitória não é a vitória do PT, essa vitória não foi uma vitória do Lula, essa vitória foi uma vitória da democracia do Brasil. Essa vitória é uma vitória das instituições democráticas”, afirmou.
A deputada criticou ainda a postura de quem reconhece o resultado das eleições legislativas, mas passa a questionar o sistema eleitoral após uma derrota presidencial. “E que, finalmente, a gente amadureça e aprenda a respeitar o resultado das urnas, porque não é a primeira vez. No primeiro turno, quando se estabelecem grandes bancadas, sejam elas de que matriz ideológica for, ninguém questiona a urna; no segundo turno, quando perde, começa um chororô”, disse.
Respeito entre vencedores e derrotados
Em meio aos discursos de comemoração e às críticas políticas, André Corrêa (PSD) adotou um tom de conciliação. O deputado defendeu que os vencedores evitem provocações e que os derrotados reconheçam a vontade expressa pelos eleitores. Corrêa contou que aprendeu essa postura com o avô, que foi prefeito de Valença na década de 1960.
“Ao vitorioso cabe estender a mão. Ao vitorioso cabe a grandeza de não provocar, de não humilhar aquele que é derrotado. E aquele que é derrotado também tinha que ter a grandeza de reconhecer e respeitar a vontade popular”, afirmou.
O parlamentar reconheceu a existência de tensões políticas e mencionou o que chamou de “anomalias jurídicas”, sem especificar os episódios aos quais se referia. Ele também afirmou que as instituições brasileiras passam por um processo contínuo de amadurecimento e que a democracia precisa resistir aos conflitos decorrentes das disputas eleitorais.
Dani Balbi (PCdoB), por sua vez, atribuiu a vitória de Lula à mobilização de trabalhadores, estudantes e movimentos sociais. A deputada destacou que, em sua avaliação, a eleição envolveu debates sobre direitos constitucionais, garantias trabalhistas e proteção de grupos sociais.
“O que estava em risco, Sr. Presidente, são as garantias constitucionais. O que se apresentou em risco, Sr. Presidente, são as conquistas para essa classe trabalhadora, conquistas que foram asseguradas nas ruas, que foram inscritas na Carta Constitucional e nos dispositivos legais que sustentam a proteção ao trabalho”, afirmou.
Balbi também mencionou a participação de jovens e de movimentos ligados à defesa dos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+ na campanha eleitoral. Para a parlamentar, o resultado representa uma oportunidade para ampliar políticas públicas voltadas à inclusão social e à proteção dos direitos trabalhistas.
Renan Jordy reconhece resultado, mas faz críticas ao PT
O deputado Renan Jordy (PL), por sua vez, foi o único integrante do partido de Flávio Bolsonaro a se manifestar sobre a eleição no plenário. O deputado, que não conquistou a reeleição para a próxima legislatura, iniciou sua fala cumprimentando os candidatos eleitos e reconhecendo formalmente a vitória de Lula.
“Gostaria de parabenizar a todos os eleitos no pleito do primeiro turno e ao eleito, no segundo turno, Presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou.
Em seguida, porém, Jordy passou a criticar o presidente reeleito e o Partido dos Trabalhadores. O parlamentar afirmou acreditar que o próximo governo será marcado por problemas na segurança pública, nas contas das estatais e no combate à corrupção.
As afirmações foram apresentadas como avaliações e previsões políticas do deputado, sem dados que permitam antecipar os resultados do próximo mandato. “A vitória do PT não significa apenas a vitória do Presidente Lula, mas é a vitória do colapso, é a vitória da desregulação, é a vitória do desvirtuamento daquilo tudo que é correto”, afirmou.
Jordy também fez acusações contra Lula relacionadas a antigos escândalos de corrupção e criticou os eleitores que reconduziram o petista ao Palácio do Planalto. As declarações representam a posição do parlamentar e não estabelecem, por si, responsabilidade criminal do presidente.
Apesar das críticas, o deputado encerrou sua manifestação reafirmando o compromisso com o reconhecimento das instituições e do processo democrático.
“Mas como democratas, como defensores daquilo que preconizamos, desde o início, que é a democracia, o respeito às instituições e ao equilíbrio entre os Poderes, quero parabenizar a população brasileira, quero dizer que desejo sorte ao nosso Brasil e que Deus nos proteja”, concluiu.







Deixe um comentário