Uma frota da Marinha dos Estados Unidos que havia sido deslocada ao Caribe, em meio ao aumento da pressão sobre a Venezuela, retornou na terça-feira (19) ao porto de Norfolk, no estado da Virgínia. A decisão foi motivada pelo avanço do furacão Erin na Costa Leste americana. A informação foi divulgada pelo site especializado USNI News.
O grupo naval é composto pelo navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima (LHD-7) e pelos navios de transporte de doca USS Fort Lauderdale (LPD-28) e USS San Antonio (LPD-17). Eles haviam deixado Norfolk apenas cinco dias antes, no que foi considerado um movimento estratégico, já que se tratava da primeira mobilização de prontidão anfíbia dos EUA em oito meses. A previsão, segundo a agência Reuters, é que a frota volte a se deslocar rumo ao Caribe no domingo (24), embora não haja confirmação oficial.
O envio do grupo ocorreu após determinação do presidente Donald Trump para, supostamente, ampliar a atuação militar contra cartéis de drogas estrangeiros. A medida reacendeu especulações sobre uma possível ação militar contra a Venezuela, país com o qual Washington rompeu relações diplomáticas em 2019.
Na semana passada, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou que os EUA estão dispostos a usar “toda a força” contra o governo de Nicolás Maduro, acusado de comandar uma rede de narcotráfico internacional. Em julho, o Departamento do Tesouro incluiu o chamado Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas e ofereceu recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Maduro. Em resposta, o presidente venezuelano mobilizou 4,5 milhões de paramilitares e acusou Washington de preparar uma intervenção.
O furacão Erin
Apesar da tensão política, o recuo da frota foi justificado pelo avanço do furacão Erin, que chegou a alcançar categoria 5 no último fim de semana, antes de ser rebaixado para categoria 2 na terça-feira.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA alertou para riscos de tempestades e ventos fortes na Virgínia, na Carolina do Norte e em Maryland. A expectativa é de que, já nesta quinta-feira (21), a tempestade atinja os Outer Banks, na Carolina do Norte, e siga pela costa antes de se afastar para o Atlântico.
Poder naval ampliado
Além do grupo anfíbio, três destróieres da classe Arleigh Burke — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — foram enviados para a região próxima à Venezuela. Cada um deles pode carregar até 96 mísseis, incluindo o Tomahawk, arma símbolo dos ataques de precisão americanos desde a Guerra do Golfo.
Analistas militares destacam que, em termos de poder de fogo, apenas esses três navios têm capacidade superior a toda a frota venezuelana.
Nos bastidores, o governo Trump também autorizou, de forma reservada, o Pentágono a empregar tropas em operações contra cartéis de drogas latino-americanos classificados como organizações terroristas. A ofensiva é vista como parte da pressão crescente sobre Maduro, que voltou a ser chamado pela Casa Branca de “narcoterrorista” e “líder ilegítimo”.






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