Floresta do Jamanxim pode perder 40% da área após aprovação no Senado

Proposta transforma 486 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim em Área de Proteção Ambiental, categoria com menor nível de restrição. Texto aprovado pelo Senado segue para sanção presidencial

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) o projeto de lei que reduz em quase 40% a área da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará. A proposta transforma 486 mil hectares da unidade de conservação em uma Área de Proteção Ambiental (APA), categoria que permite maior flexibilidade de uso e exploração do território.

O texto, de autoria do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Projeto foi aprovado em votação acelerada

No Senado, a proposta foi incluída como item extrapauta e teve tramitação rápida. A votação foi concluída em menos de dez minutos após a aprovação de um requerimento de urgência apresentado pelo senador Jader Barbalho.

A Floresta Nacional do Jamanxim foi criada em 2006, com o objetivo de proteger áreas próximas à BR-163, importante corredor logístico que liga o Centro-Oeste aos portos do Norte do país.

Mudança está ligada à Ferrogrão

A redução da área protegida é defendida por setores que apoiam a construção da Ferrogrão, ferrovia prevista para facilitar o transporte da produção agrícola do Centro-Oeste até os portos da região Norte.

A obra integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é considerada estratégica por representantes do agronegócio.

Por outro lado, ambientalistas afirmam que a diminuição da área protegida poderá estimular a abertura de ramais ilegais, ampliar o desmatamento e aumentar a pressão sobre terras públicas na região.

Ministério do Meio Ambiente critica proposta

Em nota oficial, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) manifestou posição contrária ao projeto.

Segundo a pasta, a Flona do Jamanxim desempenha papel importante na contenção do desmatamento ao longo da BR-163. O ministério afirma que a transformação de parte da unidade em Área de Proteção Ambiental amplia as possibilidades de exploração econômica e pode favorecer atividades incompatíveis com a conservação ambiental.

O governo também argumenta que alterações desse porte deveriam ser precedidas por estudos técnicos, ampla participação da sociedade e observância dos princípios constitucionais de proteção ao meio ambiente.

Ambientalistas temem avanço da grilagem e do garimpo

Especialistas e organizações ambientais criticaram a aprovação do projeto.

A advogada Alice Dandara, do Instituto Socioambiental (ISA), afirmou que levantamentos realizados pela entidade identificaram interesses de grandes proprietários rurais, mineradoras e requerimentos de exploração mineral sobrepostos ao território da Flona.

Segundo ela, o avanço da proposta também ocorre em um contexto de debates sobre regularização fundiária e da proximidade do período eleitoral.

Já Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, avaliou que o projeto beneficia atividades ilegais e representa mais um movimento de flexibilização das áreas protegidas no país.

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