A esquerda quebrou o silêncio sobre a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e levou o tema ao plenário no expediente final desta quinta-feira (04).
Em um pronunciamento firme, o deputado Flávio Serafini (Psol) afirmou que, caso as acusações sejam comprovadas, a tendência da bancada do Psol é votar pela manutenção da prisão. O debate ocorre em meio a pressões políticas e à expectativa de que a Casa decida sobre o caso nos próximos dias.
Contexto das acusações
Serafini lembrou que o ex-deputado TH Joias permaneceu por meses na Assembleia por decisão política do Executivo, mesmo já investigado e acusado de crimes como tráfico, lavagem de dinheiro e importação de armas.
Ele se referia a manutenção de Rafael Piccini (MDB) como secretário de estadual de Esporte e Lazer, o que preservou a vaga de um investigo na Alerj. O parlamentar destacou que o ex-parlamentar se tornou figura próxima ao governador Cláudio Castro e participou de eventos oficiais ligados à segurança pública.
Em sua fala, o deputado afirmou que considera graves as acusações contra Bacellar, que é investigado por supostamente repassar informações sigilosas e facilitar a destruição de provas. Serafini defendeu que o Parlamento avalie com atenção todos os documentos antes de tomar uma decisão final.
Posicionamento sobre a prisão
O parlamentar reiterou que nenhuma decisão deve ser tomada antes da análise completa do processo, mas disse que o silêncio não pode encobrir a gravidade do caso.
Segundo ele, se houver elementos probatórios sólidos, a bancada não deixará de se posicionar pela manutenção da prisão. Ele também observou que as informações divulgadas pela imprensa diferem do que está na decisão judicial tornada pública até agora, o que exige cuidado na avaliação.
Ele advertiu que o debate não deve se pautar por insinuações pessoais, afirmando que o compromisso do Psol é com a análise dos fatos. Um integrante da base aliada, contudo, já havia sugerido que a votação revelaria possíveis deserções políticas e levantou dúvidas sobre a posição seria adotada pela esquerda.
Debate sobre segurança pública
O deputado ampliou a discussão ao defender um debate mais profundo sobre a política de segurança no estado. Ele disse que famílias fluminenses têm o direito de viver sem medo da violência armada e que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido dentro dos limites institucionais.
Serafini criticou a manutenção de figuras investigadas em posições de influência política e afirmou que episódios envolvendo mortes de civis e policiais em operações devem ser considerados na avaliação das escolhas do governo. Ele concluiu dizendo que a oposição aguardará a chegada dos documentos e analisará o caso com responsabilidade.
O pronunciamento marcou o primeiro posicionamento público da oposição sobre o caso desde a prisão de Bacellar e abriu espaço para um debate mais amplo no plenário sobre o papel político da Alerj diante das investigações.
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