Flávio Bolsonaro e Jorge Messias estarão frente a frente na maior Marcha para Jesus do país

Maior manifestação evangélica do país deve reunir cerca de 2 milhões de pessoas na capital paulista

A tradicional Marcha para Jesus, marcada para esta quinta-feira (4) em São Paulo, promete reunir milhões de fiéis em um dos maiores eventos evangélicos do país. Mas, além das manifestações religiosas, a edição deste ano também ganha relevância política ao colocar no mesmo ambiente representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças da oposição ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, foi escolhido para representar o governo federal no evento. Do outro lado, estão confirmadas as presenças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), dois nomes centrais do campo conservador para as eleições de 2026.

Disputa por espaço entre evangélicos

A presença de Jorge Messias ocorre em um momento delicado de sua trajetória política. O ministro foi recentemente rejeitado pelo Senado em sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), apesar do apoio de importantes lideranças evangélicas.

Mesmo após a derrota, Messias mantém interlocução próxima com o segmento religioso e participará da Marcha para Jesus pelo quarto ano consecutivo representando Lula, que segue sem comparecer pessoalmente ao evento durante seu terceiro mandato. Tradicionalmente, o presidente envia uma mensagem aos participantes, lida no palco principal.

Clima de moderação

Apesar do contexto eleitoral, os organizadores afirmam que o foco será religioso. O apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e responsável pela organização da Marcha, afirmou que não estão previstos discursos políticos durante o evento.

A expectativa é de que Flávio Bolsonaro também adote um tom mais moderado. Nos bastidores, aliados avaliam que o senador busca ampliar seu diálogo com diferentes setores do eleitorado e reduzir a imagem de radicalização associada ao bolsonarismo nos últimos anos.

Reencontro após tensões

A Marcha para Jesus também marcará o reencontro público entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas após semanas de desconforto entre os grupos políticos dos dois aliados.

As divergências surgiram após a operação da Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, ligada à produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. A investigação trouxe novos desgastes ao campo conservador e gerou cobranças de aliados de Flávio em relação à postura adotada pelo governador paulista diante do caso.

Nos bastidores, integrantes das duas campanhas admitem que houve um período de distanciamento, mas avaliam que a proximidade das eleições tende a reaproximar os grupos.

Evento deve reunir 2 milhões de pessoas

Em sua 34ª edição, a Marcha para Jesus é considerada o maior evento evangélico do Brasil. A organização estima a participação de cerca de 2 milhões de pessoas no percurso de aproximadamente três quilômetros entre a estação Luz do metrô e a Praça Heróis da FEB, na Zona Norte da capital paulista.

Além das autoridades políticas, a programação contará com apresentações de artistas gospel e momentos de oração conduzidos por lideranças religiosas ao longo do dia.

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