A participação de autoridades na Marcha para Jesus, realizada em São Paulo nesta quinta-feira (4), acabou marcada por um embate político envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
Após uma declaração do parlamentar direcionada ao governo federal durante o evento, o ministro respondeu de forma indireta e defendeu que a manifestação religiosa não fosse transformada em espaço para discursos eleitorais.
O episódio ocorreu no trio elétrico principal da marcha. Mesmo após uma orientação do apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento, para que fossem evitadas manifestações político-partidárias em ano eleitoral, Flávio utilizou o microfone para afirmar que o “mundo do mal vai ser expulso do governo neste ano”.
Sem citar nominalmente o senador, Messias criticou a politização da celebração e afirmou que o propósito da marcha é reunir fiéis em torno da fé cristã.
Resposta ao senador
Ao comentar a declaração de Flávio Bolsonaro, o ministro ressaltou que a Marcha para Jesus deve ser um espaço voltado à espiritualidade e à adoração.
Segundo Messias, os participantes comparecem ao evento para manifestar sua fé e não para acompanhar disputas políticas. O ministro também afirmou que não caberia a ele julgar as falas de outros participantes, observando que cada pessoa será avaliada pela sociedade por suas próprias atitudes.
A declaração foi interpretada nos bastidores como uma resposta à fala do senador, que ocorreu diante do mesmo público presente na manifestação religiosa.
“Hoje não é dia de comício. Eu vim aqui com esse espírito. E as pessoas que estão aqui também estão com esse espírito. Louvar e adorar o nome do nosso Deus. Vim com o espírito para conectar com a fé, com a espiritualidade do povo, pela minha condição evangélica, pela minha condição de andar com Deus há mais de 40 anos”, disse
Recado de Lula
Durante sua participação no evento, Jorge Messias também transmitiu uma mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não compareceu à marcha neste terceiro mandato.
Segundo o ministro, Lula mantém a posição de que manifestações religiosas não devem ser utilizadas para fins políticos. Ainda assim, o presidente teria demonstrado respeito e apreço pelo evento e por seus organizadores.
Messias relatou que, neste ano, Lula conversou diretamente com o apóstolo Estevam Hernandes, em vez de enviar a tradicional carta encaminhada em edições anteriores. De acordo com o ministro, o presidente relembrou a sanção da lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus e reforçou seu respeito pelos participantes da celebração.
Futuro no STF
Questionado sobre a possibilidade de ter seu nome novamente indicado ao Supremo Tribunal Federal, após a rejeição de sua candidatura pelo Senado, Jorge Messias evitou fazer projeções.
O ministro afirmou que aguardará uma decisão do presidente da República e disse que o assunto está “nas mãos de Deus”.
A declaração ocorre em meio a especulações sobre uma eventual nova tentativa de Lula de emplacar o nome de Messias na Suprema Corte. Nos bastidores de Brasília, o tema continua sendo acompanhado por aliados do governo e pela oposição, especialmente após a rejeição da indicação anterior pelo Senado.
Apesar da tensão política registrada durante a Marcha para Jesus, o ministro procurou manter um tom conciliador e reforçou que sua presença no evento teve caráter religioso, em sintonia com a proposta da celebração.






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