Cassado em 2021, Witzel tenta voltar ao Governo do Rio e mira efeito Ricardo Couto

Ex-governador será candidato pelo Democrata, diz compartilhar modelo de gestão do governador interino e afirma que impeachment foi resultado de um “sistema perverso”

O ex-governador Wilson Witzel tentará retornar ao Palácio Guanabara nas eleições de 2026, cinco anos após perder o mandato por impeachment. Candidato pelo Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), ele aposta em um discurso centrado na austeridade administrativa e afirma que sua visão de governo é semelhante à adotada pelo governador interino Ricardo Couto, que permanece no cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome de Witzel será oficializado na convenção do partido neste sábado (1º). Em entrevista, o ex-juiz federal afirmou que ele e Ricardo Couto compartilham princípios de gestão baseados na transparência, legalidade e objetividade na administração pública.

“Embora não tenha permanecido no cargo como o desembargador Ricardo Couto, nossa visão de gestão é bastante similar pela nossa formação, de transparência, de legalidade e de objetividade na condução da gestão do Estado”, declarou.

Witzel diz que foi vítima de perseguição política

Ao comentar sua saída do governo, Witzel voltou a afirmar que foi alvo de interesses políticos dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo ele, seu impeachment decorreu da resistência em atender demandas de parlamentares por espaço na administração estadual.

“Sou uma vítima do sistema perverso que existe no Rio de Janeiro, que não aceita um governador que seja isento”, afirmou.

O ex-governador também disse acreditar que Ricardo Couto só consegue implementar medidas de austeridade porque, na condição de governador interino nomeado por decisão judicial, não estaria sujeito às mesmas pressões políticas enfrentadas por um governador eleito.

Processos continuam no STJ

Witzel foi afastado do cargo em agosto de 2020 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após investigações da Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos destinados à saúde, incluindo contratos firmados durante a pandemia de Covid-19. O impeachment foi concluído pela Alerj em abril de 2021.

Atualmente, ele responde a quatro ações penais no STJ, mas afirma que os processos avançaram pouco em razão de questões processuais e mudanças na jurisprudência sobre foro privilegiado.

Segundo Witzel, as acusações apresentadas pelo ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos, que firmou acordo de colaboração premiada, não seriam sustentadas por provas documentais.

Críticas a antigos aliados e nova estratégia

Na entrevista dada à Folha de S. Paulo, o ex-governador também voltou a responsabilizar antigos aliados políticos por sua queda. Ele citou o ex-governador Cláudio Castro, que era seu vice, e afirmou que, se voltar ao Palácio Guanabara, adotará mecanismos para impedir a formação de um “governo paralelo”.

Witzel ainda mencionou que diversos personagens envolvidos em seu processo de impeachment enfrentam atualmente investigações ou processos judiciais, citando o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, a deputada Lucinha e o próprio Cláudio Castro.

Apesar das críticas, afirmou não guardar ressentimentos da família Bolsonaro. Disse, inclusive, que poderá apoiar uma eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, caso essa seja a orientação do Democrata.

Sem representação na Câmara dos Deputados, o Democrata não possui tempo de propaganda eleitoral nem presença garantida nos debates televisivos. Mesmo assim, Witzel afirma acreditar que sua trajetória política e o fato de já ter governado o estado poderão garantir espaço nas principais emissoras durante a campanha.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo