Fim da escala 6×1 é rejeitado por 70% dos deputados, mas isenção do IR tem apoio de 88%

Levantamento Genial/Quaest mostra quais propostas do governo Lula têm respaldo no Congresso e quais enfrentam forte resistência parlamentar

A mais recente edição da pesquisa “O que pensam os deputados federais”, realizada pela Genial/Quaest e divulgada nesta quarta-feira (3), traz um panorama das percepções dos parlamentares sobre temas sensíveis em debate no Congresso Nacional. Entre as propostas avaliadas, a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda lidera o apoio, com 88% dos deputados a favor. Já o fim da escala de trabalho 6×1 e a exclusão das verbas do Judiciário do teto de gastos foram as mais rejeitadas, com 70% de desaprovação.

O levantamento foi feito entre 7 de maio e 30 de junho, com 203 deputados federais — cerca de 40% da Câmara — e representa proporcionalmente as bancadas partidárias e as regiões do país. A margem de erro é de 4,5 pontos percentuais.

A pauta mais popular entre os parlamentares é também uma das principais bandeiras do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para este ano: a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. O Palácio do Planalto espera implementar a medida até 2026, em meio ao esforço de reverter a queda de popularidade do presidente. Com a proposta, Lula busca cumprir uma promessa de campanha e reforçar sua imagem junto às camadas médias e mais pobres da população.

Na semana passada, a Câmara aprovou a elevação da isenção para quem recebe até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 2.824. A medida, que agora segue para o Senado, tem impacto fiscal estimado em R$ 3,29 bilhões neste ano, chegando a R$ 5,73 bilhões em 2027.

Além da isenção, outras pautas com bom nível de aceitação incluem a exploração de petróleo na Amazônia (83%), o aumento das penas para crimes de roubo (76%) e o fim da reeleição para o Executivo, acompanhado do aumento dos mandatos (69%).

No outro extremo, medidas como o fim da escala de trabalho 6×1 — defendida publicamente por Lula — e a exclusão das verbas do Judiciário do limite de gastos enfrentam grande resistência. Ambas foram rejeitadas por 70% dos deputados ouvidos.

A proposta de reduzir a jornada de trabalho tem sido tratada pelo governo como símbolo de um compromisso com os trabalhadores. Em pronunciamento no Dia do Trabalho, o presidente reafirmou seu apoio à medida:

— Nós vamos aprofundar o debate sobre a redução da jornada de trabalho vigente no país, em que o trabalhador e a trabalhadora passam seis dias no serviço e têm apenas um dia de descanso. A chamada jornada 6 por 1. Está na hora de o Brasil dar esse passo, ouvindo todos os setores da sociedade, para permitir um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar de trabalhadores e trabalhadoras — afirmou Lula.

Apesar do discurso, a proposta ainda carece de articulação concreta no Congresso. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa abolir a escala 6×1 foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro, mas ainda não avançou. A parlamentar já discutiu o tema com membros do governo, embora o Planalto não tenha definido estratégia para viabilizar sua tramitação.

Outro ponto que enfrenta resistência é o projeto que combate os chamados “supersalários” no serviço público: 53% dos deputados se manifestaram contra a proposta. Também causam divisão temas como o aumento da alíquota de IR para os super-ricos (44% a favor e 46% contra) e a PEC da segurança pública (42% a favor e 42% contra).

Veja como os deputados se posicionaram sobre as principais propostas:

PropostaA favorContraNS/NR
Elevação da faixa de isenção do IR88%5%7%
Exploração de petróleo na Amazônia83%10%7%
Aumento das penas para roubos76%16%8%
Fim da reeleição e aumento dos mandatos69%20%11%
Segunda fase da reforma tributária63%29%8%
Proibição de apostas online por beneficiários do Bolsa Família55%38%7%
Projeto alternativo à anistia54%24%22%
Nova política de ensino à distância53%35%12%
Inclusão de verbas indenizatórias no teto constitucional48%38%14%
Aumento do IR para super-ricos44%46%10%
PEC da segurança pública42%42%16%
Projeto dos supersalários32%53%15%
Fim da escala 6×122%70%8%
Exclusão das verbas do Judiciário do limite de gastos15%70%


15%


Em meio ao cenário de desgaste entre o Executivo e o Congresso, o governo tenta calibrar seu discurso e suas prioridades para manter influência na agenda legislativa e ganhar fôlego político. A aposta é em pautas com apelo popular, como a isenção do IR, enquanto aguarda ambiente mais favorável para temas que enfrentam resistência maior dentro da Câmara.

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