No segundo dia de julgamento dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, confessos no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a emoção tomou conta do plenário. Luyara Santos, filha da vereadora executada em 2018, se emocionou ao ver sua própria foto entre as buscas realizadas por Lessa antes do crime.
Durante a apresentação de provas pelo Ministério Público, o promotor Eduardo Martins mostrou no telão do tribunal imagens de buscas que Lessa havia feito em um banco de dados, incluindo fotos de Marielle e de sua filha. Com surpresa e tristeza, Luyara tentou se manter firme, mas foi amparada pelos familiares e acabou saindo do plenário, onde desabou em lágrimas.
Momentos antes, ela acompanhava atentamente o julgamento, demonstrando concordância ao ouvir o promotor Fábio Martins descrever o perfil dos réus como “sociopatas” e afirmar que o arrependimento deles parece ser, na verdade, “tristeza por terem sido pegos”.
A primeira sessão do julgamento, no dia anterior, também havia sido marcada pela dor da família. Marinete Silva, mãe de Marielle, comoveu o público ao descrever quem era a vereadora.
Frieza de assassino confesso impactou julgamento
A emoção atingiu seu ponto máximo com o depoimento de Ronnie Lessa, que relatou com frieza os detalhes da execução, explicando como atirou em direção ao carro onde estavam Marielle e Anderson, mirando na cabeça dela. Em silêncio, familiares e amigos acompanharam o depoimento, e o silêncio foi rompido apenas pelo choro de Luyara e Marinete, que deixaram o plenário, abaladas.
Lessa ainda revelou que, no dia do assassinato, chegou a planejar executar Marielle logo ao deixá-la em um evento na Lapa, mas desistiu ao ver um prédio da Polícia Civil nas proximidades. A narrativa de indiferença dos réus contrastou fortemente com a emoção e o luto presente entre os familiares, tornando o julgamento ainda mais doloroso para os presentes.
Com informações de O Globo





