A família de Marielle Franco chegou ao Tribunal de Justiça do Rio, no Centro da cidade, para acompanhar o julgamento dos assassinos confessos dela e de seu motorista, Anderson Gomes. Os policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz podem ser condenados a até 84 anos de prisão. Lado a lado, a irmã, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco; a mãe, Marinete da Silva; o pai, Antônio Francisco da Silva Neto; e a filha, Luyara Franco, lembram com emoção da vereadora. Sem conseguir segurar o choro, Luyara Santos falou sobre a dor de não ter a mãe por perto, e da importância da sentença para dar esperança a outros familiares de vítimas de violência do estado.
— Como filha, é muito difícil pra mim estar aqui. Mas a coragem da minha família e dos movimentos de direitos humanos que não largaram nossas mãos me ajudaram a estar aqui hoje. Justiça seria se a minha mãe estivesse aqui, se o Anderson estivesse aqui. Minha mãe foi uma parlamentar eleita com mais de 46 mil votos. O júri de hoje é o primeiro passo para essa justiça, porque a gente não pode normalizar que uma vida seja ceifada, da forma que tiraram eles da gente — disse Luyara, com a voz embargada.
Um corredor foi formado pelos manifestantes, com flores nas mãos, para receber as famílias de Marielle e Anderson.
— Quando a gente chegou aqui, parecia que a gente estava chegando de novo no velório. São quase sete anos de muita dor, de vazio pelo assassinato de uma mulher que lutava exatamente contra isso. A gente tem estado muito firme e acho que o legado da Marielle é isso, são as pessoas que tem lutado diariamente por justiça e pelo fim dessa violência que não é normal no Rio de Janeiro. A gente está um pouco sem palavras, muito mexido de reviver tudo hoje. Vem a cena do crime, o reconhecimento do corpo, o enterro, tantas famílias que estão aqui nesse protesto passaram por isso. Quantas famílias esperam por um momento como esse e não conseguem, por impunidade — disse Anielle Franco.

Execução no Estácio
Na quarta-feira, 14 de março de 2018, o carro em que os dois estavam foi abordado no bairro do Estácio, na Zona Norte do Rio. Marielle foi atingida por quatro tiros na cabeça e morreu na hora. Na linha de tiro, Anderson também foi baleado e não resistiu. A única sobrevivente foi a assessora Fernanda Chaves, atingida por estilhaços.
Ronnie Lessa admitiu ser o autor dos disparos e Élcio Queiroz confessou ter dirigido o veículo usado no ataque. Durante o júri popular, o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) buscará a pena máxima de 84 anos para cada um dos réus. Caberá a sete jurados do Conselho de Sentença decidir pela condenação ou pela absolvição.
Com informações do Extra online.





