No segundo dia de julgamento de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, acusados pela execução de Marielle Franco e Anderson Gomes, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) entregou aos sete jurados um kit de 207 páginas com fotos do local do crime e das vítimas. A estratégia, de acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), visa mostrar as provas sem expor ainda mais os corpos da vereadora e do motorista.
“O objetivo é levar ao conhecimento dos jurados as provas existentes no processo e mostrar que a condenação não é só com base na confissão”, afirmou o promotor Eduardo Morais.
“Que arrependimento é esse com algo em troca?”
O MP solicitou a condenação dos réus em todos os quesitos, destacando que Lessa e Queiroz teriam confessado apenas por interesse em benefícios, como a redução da pena. “Que arrependimento é esse com algo em troca? Vocês já pediram arrependimento a alguém e disseram: ‘quero seu perdão se me der alguma coisa em troca’? Porque foi isso que eles fizeram”, criticou Eduardo Martins, referindo-se à tentativa de delação premiada dos acusados, que antes negavam participação no crime.
Durante a apresentação de provas, Martins detalhou que, mesmo após a confissão, ambos terão que cumprir parte da pena em regime fechado, totalizando cerca de 30 anos. Ele também exibiu slides com evidências das investigações, incluindo buscas online feitas por Ronnie antes do crime. No momento, Luyara, filha de Marielle, deixou o plenário, visivelmente abalada.
O promotor Fábio Vieira, que também se manifestou, reforçou o ceticismo quanto ao “arrependimento” demonstrado pelos acusados, classificando-os como “sociopatas” sem qualquer traço de empatia. “O que vocês viram ontem no interrogatório dos dois foi uma farsa. Na verdade, eles não estão com sentimento de arrependimento; eles estão com uma tristeza de terem sido pegos”, disse Vieira, e acrescentou: “Isso só aconteceu quando as provas que existem no processo chegaram à conclusão absoluta de que os executores eram aqueles. Estão arrependidos? Não. Porque isso vai beneficiá-los de alguma forma. Isso é uma característica do sociopata.”
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram interrogados nesta quarta-feira (1º), e o comportamento de Lessa chamou atenção pela frieza com que descreveu o crime, incluindo detalhes sobre como disparou contra Marielle.
Com informações do g1





