Nem todo problema no fígado está relacionado ao consumo de álcool. A doença hepática gordurosa, que atualmente também é descrita como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, pode atingir pessoas que nunca beberam ou que consomem álcool em pequenas quantidades. O excesso de gordura acumulada no órgão está associado principalmente a alterações metabólicas, excesso de peso e hábitos alimentares inadequados, segundo estudo da revista científica The Lancet.
A revista divulgou o resultado neste link. A publicação reúne uma lista de alimentos associados a padrões alimentares considerados mais saudáveis e ao melhor controle de fatores metabólicos:
Alimentos que podem ajudar o fígado
Café: estudos observacionais associam o consumo da bebida a efeitos favoráveis sobre alguns desfechos hepáticos.
Frutas: maçã, laranja, frutas vermelhas e outras frutas inteiras, fontes de fibras e compostos antioxidantes;
Verduras e legumes: folhas verdes, brócolis, couve-flor, cenoura e outros vegetais;
Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha;
Peixes: especialmente aqueles ricos em ômega-3, como sardinha e salmão;
Oleaginosas: castanhas, nozes e amêndoas, em quantidades moderadas;
Cereais integrais: aveia e outros alimentos ricos em fibras;
Alimentos que podem prejudicar o fígado
O problema não está necessariamente em consumir um alimento isoladamente, mas no padrão alimentar e na frequência de consumo. Entre os produtos que merecem atenção estão:
- Refrigerantes e bebidas açucaradas;
- Doces, biscoitos e sobremesas ricos em açúcar;
- Alimentos ultraprocessados;
- Embutidos, como salsicha, linguiça, presunto e mortadela;
- Frituras e alimentos muito ricos em gordura saturada;
- Carboidratos refinados, quando consumidos em excesso;
- Produtos com grande quantidade de açúcar adicionado.
O excesso de açúcar, gordura e calorias pode contribuir para ganho de peso e alterações como resistência à insulina, diabetes e aumento de triglicerídeos — fatores relacionados ao desenvolvimento da doença hepática gordurosa.
O problema pode evoluir sem sintomas
Um dos desafios é que a gordura no fígado pode permanecer silenciosa durante bastante tempo, conforme o estudo.. Em casos mais avançados, a inflamação pode provocar fibrose e evoluir para cirrose e outras complicações.
A relação entre alterações metabólicas e doenças do fígado também ganhou importância nas pesquisas recentes. A análise da The Lancet apontou que mais de 60% dos casos de câncer de fígado no mundo estão relacionados a fatores de risco potencialmente preveníveis, entre eles álcool, hepatites virais e doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica.
Por isso, cuidar do fígado não significa apenas cortar bebidas alcoólicas. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o peso e acompanhar condições como diabetes e alterações do colesterol e dos triglicerídeos são medidas importantes para reduzir riscos.







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