dor de perder um parente ganhou um capítulo adicional de angústia para famílias que procuraram o Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Nesta segunda-feira (17), parentes relataram horas de espera para reconhecer e conseguir a liberação de corpos, com um dos casos chegando a cerca de 14 horas de permanência na unidade sem que o procedimento fosse concluído.
O IML de Nova Iguaçu é atualmente a única unidade da Baixada Fluminense realizando exames cadavéricos. As necropsias no IML de Duque de Caxias foram temporariamente suspensas devido a obras, fazendo com que a demanda seja direcionada para Nova Iguaçu.
O artista plástico Carlos Eduardo Carrilho Baião enfrentou dois dias de espera para tentar liberar o corpo do filho, Lucas, de 26 anos. O jovem morreu no sábado (15), após um acidente de moto em São João de Meriti.
No domingo, Carlos chegou ao IML às 7h e permaneceu no local até aproximadamente 21h. Mesmo depois de cerca de 14 horas de espera, não conseguiu levar o corpo do filho para o sepultamento. Nesta segunda-feira, precisou retornar ao instituto.
De acordo com o relato do pai, funcionários informaram que havia uma grande quantidade de corpos aguardando atendimento e que apenas um médico-legista estaria realizando os procedimentos naquele momento.
Famílias relatam descaso
O caso de Carlos não foi o único. Outras famílias chegaram ao IML ainda nas primeiras horas da manhã e passaram boa parte do dia aguardando o reconhecimento ou a liberação dos parentes.
A estudante de História Fernanda Silva Rocha chegou por volta das 6h45 desta segunda-feira para acompanhar a liberação do corpo do tio. Ele havia sido encontrado morto dentro da própria residência, em Nova Iguaçu, na noite anterior.
Depois do meio-dia, a família ainda não havia conseguido fazer o reconhecimento.
“Um descaso por parte do Estado, uma falta de comprometimento com a sociedade, com o acolhimento num momento de dor que a gente tem”, afirmou Fernanda.
A concentração das necropsias em Nova Iguaçu ocorre enquanto a unidade de Duque de Caxias passa por obras. Outros serviços do IML de Caxias continuam funcionando normalmente; apenas os exames cadavéricos estão suspensos.
Nosso velório está sendo aqui, diz parente
Para outra família, a demora trouxe uma preocupação ainda maior: a possibilidade de não haver tempo para realizar o velório.
O auxiliar de topógrafo Matheus Almeida aguardava a liberação do corpo do cunhado, morto depois de ser atropelado na Rodovia Presidente Dutra, em Paracambi.
Segundo Matheus, o homem desceu de um ônibus para atravessar a pista e foi atingido por uma motocicleta na quarta-feira (12). Ele foi levado para o Hospital da Posse, onde permaneceu internado, mas morreu no sábado (15), por volta das 14h.
O corpo chegou ao IML de Nova Iguaçu no domingo. Nesta segunda-feira, a família retornou ao local para tentar concluir os procedimentos necessários para o sepultamento.
“A gente tá apreensivo porque provavelmente não vai existir nem velório. O nosso velório está sendo aqui. Isso é muito triste pra gente. Um IML pra Baixada Fluminense”, lamentou Matheus.
Polícia Civil diz que há equipe completa
Procurada diante das reclamações, a Polícia Civil informou que o IML de Nova Iguaçu está absorvendo também os corpos que seriam encaminhados para Duque de Caxias devido às obras realizadas naquela unidade.
A corporação afirmou, no entanto, que o instituto de Nova Iguaçu conta com equipe completa de médicos-legistas e profissionais capacitados para realizar os atendimentos.
Segundo o órgão, não existe um prazo único para a liberação. O tempo necessário varia conforme as características de cada caso e a complexidade dos exames periciais que precisam ser realizados.
A Polícia Civil afirmou ainda que eventuais períodos maiores de espera não significam necessariamente falta de profissionais ou de estrutura.







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