A Justiça do Rio condenou Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o Faraó dos Bitcoins, a 19 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa. Daniel Aleixo Guimarães, o Dany Boy, apontado como seu braço-direito, recebeu pena de 16 anos e 4 meses pelos mesmos delitos. A sentença, proferida pelo juiz Nilson Luis Lacerda, da 1ª Vara Especializada em Organizações Criminosas, é resultado da Operação Novo Egito, deflagrada em 2022 pelo Gaeco, do Ministério Público do Rio. O magistrado determinou que Glaidson seja novamente transferido para um presídio federal de segurança máxima fora do estado. Ele havia sido levado de volta ao Rio no fim de setembro para participar presencialmente de audiências e está, por ora, em Bangu 1, no Complexo de Gericinó, zona oeste da cidade.
Esquema bilionário e uso de violência
Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estimam que o esquema da GAS Consultoria e Tecnologia, empresa de Glaidson, tenha movimentado cerca de R$ 38 bilhões, lesando centenas de investidores em uma pirâmide financeira. Além dos crimes financeiros, o processo estadual aponta que o grupo liderado por Glaidson formou uma organização criminosa violenta, com atuação na Região dos Lagos, voltada à prática de assassinatos, corrupção e ameaças. A GAS prometia lucros mensais de 10% aos investidores.
Plano para eliminar concorrentes
Segundo o Gaeco, com o surgimento de empresas concorrentes que ofereciam rentabilidades maiores, Glaidson teria criado um grupo armado para eliminar rivais, influenciadores e jornalistas que pudessem prejudicar seus negócios. O juiz destacou, na sentença, que o empresário transformou a estrutura criminosa “em um verdadeiro grupo de extermínio” voltado a garantir sua hegemonia de mercado. O MP afirma que ele financiava as ações ilícitas por meio de empresas de fachada e usava terceiros para movimentar recursos destinados à contratação de pistoleiros, seguranças, detetives e para o aluguel de imóveis usados em espionagem e monitoramento de vítimas.
Corrupção e operação ‘fake’ da Polícia Civil
A Justiça também concluiu que, em 2021, Glaidson ordenou o pagamento de R$ 150 mil em propina a policiais da Delegacia de Defraudações para que realizassem uma operação falsa contra uma empresa concorrente. A ação, segundo a denúncia, foi articulada por Daniel Aleixo e tinha o objetivo de prejudicar a imagem da rival e fortalecer o domínio da GAS no mercado. O juiz ressaltou que há provas de que Glaidson deu instruções diretas sobre a operação, inclusive exigindo cobertura midiática para maximizar os danos à concorrente.
Outros acusados e desdobramentos do caso
Ao todo, 17 pessoas foram denunciadas no processo da Operação Novo Egito, mas, após desmembramentos, apenas Glaidson e Daniel foram julgados nesta ação. Em outro processo, concluído em 2024, policiais civis acusados de receber propina do grupo já haviam sido condenados.
Defesa e situação atual
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal negou mais um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Glaidson, mantendo sua prisão em regime fechado. Sua defesa ainda não se manifestou.






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