Faraó dos Bitcoins retorna ao sistema penitenciário federal em regime diferenciado

A advogada Karina Kufa, que defende Eduardo Bolsonaro em processo por coação à Justiça, foi convidada por Edson Fachin e esteve na cerimônia em que ele assumiu a presidência do STF ao lado de Alexandre de Moraes, agora vice-presidente

O empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, teve o retorno ao Sistema Penitenciário Federal (SPF) determinado pela Justiça do Rio de Janeiro. A decisão partiu do juiz Nilson Luis Lacerda, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, que fixou o prazo de três anos para que ele permaneça em unidade federal de segurança máxima. Até a efetiva transferência, Glaidson ficará preventivamente em Regime Disciplinar Diferenciado no presídio de Bangu 1, no Complexo de Gericinó.

Glaidson havia sido transferido para o sistema estadual na última sexta-feira (26), após decisão da 3ª Vara Federal do Rio, que autorizou sua presença em audiências marcadas para outubro. O juiz da esfera estadual, no entanto, considerou que a permanência dele em presídios fluminenses representava ameaça à ordem pública, já que o réu ainda teria influência sobre comparsas que mantêm o esquema criminoso ativo, inclusive com novas fraudes envolvendo criptomoedas.

A defesa de Glaidson contestou a medida. O advogado Thiago de Souza Cardoso Lemos afirmou que a reinclusão no SPF só seria possível diante de novos fatos processuais. Já a acusação celebrou a decisão, sustentando que ela evita riscos à sociedade. Segundo o advogado Luciano Regis, assistente de acusação, a manutenção de Glaidson em presídio estadual violava a competência da Justiça Federal.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também reforçou a necessidade da medida, destacando que Glaidson deveria permanecer no sistema federal até 2027. O órgão aponta que o grupo comandado pelo Faraó dos Bitcoins teria movimentado R$ 38 bilhões no Brasil e no exterior, além de manter vínculos com corrupção de agentes públicos e homicídios de concorrentes.

Preso desde 2021 na Operação Kryptos, deflagrada pela Polícia Federal, Glaidson responde por fraudes financeiras em larga escala. Documentos anexados ao processo mostram que apenas em 2024 ele recebeu 36 atendimentos de advogados e 48 visitas sociais, o que, segundo o MP, evidencia seu poder de articulação mesmo encarcerado. Além disso, o réu já foi pronunciado por um homicídio ocorrido em 2022, na Região dos Lagos.

Com a nova determinação judicial, Glaidson deve deixar novamente o sistema penitenciário do Rio para retornar a uma das quatro penitenciárias federais de segurança máxima do país. Caso não haja ajuste entre as Justiças estadual e federal, ele poderá seguir em Bangu até que sua transferência seja efetivada.

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