A família do pedreiro Rafael Pacheco da Silva acusa policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de terem atirado contra o trabalhador durante uma operação contra milicianos em Itaguaí, na Baixada Fluminense. O homem morreu na quarta-feira (26), no bairro Chaperó.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga as circunstâncias da morte. As armas utilizadas pelos policiais durante a ação serão submetidas a perícia para tentar esclarecer a origem dos disparos que atingiram Rafael.
Segundo familiares, o pedreiro aguardava um carro de aplicativo próximo de casa para seguir para o trabalho quando o tiroteio começou. Ele teria tentado fugir para se proteger, mas acabou baleado. Na mochila que carregava estavam ferramentas que seriam utilizadas durante o expediente.
Família relata agressão após pedreiro ser baleado
A família esteve nesta quinta-feira (27) no Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, para liberar o corpo. A irmã de Rafael, Nailin Pacheco Barbosa, afirmou que policiais teriam efetuado novos disparos depois que o trabalhador caiu.
Ela também relatou que o irmão teria sido agredido enquanto estava no chão. Segundo a família, após ser atingido, Rafael foi colocado no porta-malas de um veículo policial.
Um colega de trabalho que estava com o pedreiro no momento da ocorrência conseguiu fugir, de acordo com os familiares. Posteriormente, ele teria prestado depoimento na delegacia e relatado o que presenciou.
Rafael trabalhava como pedreiro e montador de móveis. Segundo a viúva, Ana Carolina de Paula, ele estava envolvido em uma obra próxima de casa e também desenvolvia atividades com crianças da região. Ele deixou uma filha e vivia com a mulher e os três filhos dela.
Polícia afirma que agentes foram atacados
A versão apresentada pela Draco é diferente da relatada pelos familiares. Segundo a delegacia, os policiais realizavam diligências de inteligência para investigar a atuação de milicianos quando foram atacados por criminosos.
Houve confronto durante a ação. Ainda de acordo com a polícia, Rafael foi socorrido pelos próprios agentes e levado ao Hospital Municipal Pedro II, mas não resistiu aos ferimentos.
A DHBF informou que testemunhas estão sendo ouvidas e que as armas utilizadas pelos agentes serão periciadas. A investigação deverá analisar as circunstâncias do confronto e buscar identificar a origem dos tiros que atingiram o pedreiro.
Moradores fazem protesto após morte
A morte de Rafael provocou um protesto de moradores da região de Itaguaí. Os manifestantes pediram esclarecimentos sobre a operação e cobraram respostas das autoridades sobre as circunstâncias que levaram à morte do trabalhador.
A investigação da DHBF deverá reunir depoimentos, imagens registradas durante a ação e os resultados das perícias nas armas dos policiais para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
O velório de Rafael está marcado para esta sexta-feira (28), a partir das 11h, no Cemitério Padre Cezari Vigezzi, em Itaguaí.







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