O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, intensificou nesta quarta-feira (9) as articulações internas para tentar construir uma saída para a crise que atinge a Corte em meio às investigações relacionadas ao caso Master. Fachin se reuniu separadamente com Alexandre de Moraes e Flávio Dino e também manteve conversas por telefone com outros integrantes do tribunal.
Segundo reportagem de O Globo, Fachin conversou ainda com André Mendonça, outro ministro diretamente envolvido no conflito. A movimentação ocorre diante da pressão para que a presidência do STF encontre uma solução capaz de interromper a sequência de decisões divergentes e reduzir o desgaste institucional do Supremo.
Disputa chega ao comando da PF
Um dos principais focos da crise passou a ser a permanência de Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento de Andrei, decisão contestada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que recorreu à presidência do Supremo.
Fachin deu prazo de 72 horas para que Mendonça se manifeste sobre o recurso antes de decidir. Nesta quarta, porém, Flávio Dino entrou diretamente na disputa ao reverter a ordem de Mendonça e determinar a reintegração de Andrei ao comando da PF.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a decisão de Mendonça, mas o julgamento no plenário virtual foi interrompido após pedido de vista de Gilmar Mendes. Com a nova decisão, prevalece, por enquanto, a determinação de Dino.
Mendonça denuncia monitoramento
O conflito ganhou força depois de Mendonça afirmar que teria sido alvo de “monitoramento sistemático” e ilegal pela área de inteligência da Polícia Federal. O ministro citou pelo menos seis relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto, com referências à sua atuação e à relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
“Há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, escreveu Mendonça.
Os documentos haviam sido mencionados anteriormente por Alexandre de Moraes. O ministro apontou possíveis irregularidades na atuação de Mendonça na condução das investigações envolvendo as fraudes no Master e no INSS e pediu apuração sobre o colega.
Fachin busca saída interna
A sucessão de decisões colocou Fachin no centro das tentativas de pacificação. Integrantes da Corte avaliam que uma definição da presidência é necessária para impedir que novos episódios aprofundem o desgaste institucional.
As conversas separadas com Moraes e Dino e os contatos com outros ministros indicam que Fachin busca construir uma solução internamente antes de tomar novas decisões. O desafio é administrar uma crise que já envolve diferentes gabinetes do Supremo, a Polícia Federal e a AGU, além das investigações relacionadas ao caso Master.







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