A eleição presidencial da Colômbia caminha para uma disputa entre projetos opostos. O advogado Abelardo de la Espriella, identificado com pautas da extrema direita, e o senador Ivan Cepeda, um dos principais nomes da esquerda colombiana, garantiram vaga no segundo turno após a votação realizada neste domingo (31).
Com mais de 97% das urnas apuradas, os dois candidatos apareceram separados por poucos pontos percentuais, consolidando uma disputa marcada por debates sobre segurança pública, economia, combate à pobreza e o futuro das políticas implementadas pelo atual presidente, Gustavo Petro.
Segundo os dados oficiais do órgão eleitoral colombiano, De la Espriella recebeu 43,7% dos votos válidos, enquanto Cepeda alcançou pouco menos de 41%. O resultado abre caminho para uma das eleições mais disputadas dos últimos anos no país, com a decisão final marcada para 21 de junho.
Disputa acirrada
A campanha foi dominada por temas considerados centrais para os eleitores colombianos, especialmente diante dos desafios relacionados à violência de grupos armados ilegais, ao crescimento econômico e à situação social do país.
Abelardo de la Espriella, de 47 anos, chega ao segundo turno como uma das grandes surpresas do processo eleitoral. Sem experiência em cargos eletivos, o advogado construiu sua candidatura com o discurso de “renovação política” e de endurecimento das ações de segurança pública.
Frequentemente comparado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, por seu estilo político e pelas propostas voltadas ao combate à criminalidade — que preveem encarceramento em massa como forma de combater o crime. De la Espriella defende uma ofensiva rigorosa contra organizações criminosas e grupos armados ilegais.
Entre suas principais promessas estão a construção de dez megaprisões e a ampliação de investimentos em áreas sociais, como educação, saúde e habitação, com o objetivo de reduzir os índices de pobreza.
Além disso, o candidato critica medidas econômicas adotadas durante o governo Petro, especialmente a restrição a novos projetos de exploração petrolífera, tema que gera forte debate entre empresários, investidores e setores políticos do país.
De la Espriella também afirma ter financiado sua campanha com recursos próprios, sem receber contribuições de partidos políticos ou grandes empresas. A agência Reuters informou, porém, que não conseguiu verificar essa declaração de forma independente.
A aposta da esquerda
Do outro lado da disputa estará Ivan Cepeda, senador de 63 anos e uma das figuras mais conhecidas da esquerda colombiana. Filho de um líder comunista assassinado, o parlamentar construiu sua trajetória política ligada à defesa dos direitos humanos e das vítimas do conflito armado interno.
Cepeda chegou a liderar diversas pesquisas de intenção de voto ao longo da campanha, mas terminou o primeiro turno atrás do adversário. Analistas avaliam que o segundo turno poderá ser mais desafiador para o senador, já que os votos de candidatos de centro e de direita tendem a se redistribuir após a definição dos finalistas.
Entre suas propostas está a continuidade das políticas voltadas à redução da desigualdade social. O candidato também pretende aprofundar reformas sociais e ampliar programas de combate à pobreza.
Seu plano de governo inclui o aumento da tributação sobre pessoas de alta renda, a destinação de 1 milhão de hectares de terras para vítimas do conflito armado que marcou a Colômbia por mais de seis décadas e a ampliação da cobertura do sistema público de saúde.
Na área da segurança, Cepeda defende a busca por acordos negociados com grupos armados ilegais, estratégia semelhante à adotada pelo governo de Gustavo Petro.
Baixa participação pode influenciar resultado
Outro aspecto que chamou atenção foi o índice de comparecimento às urnas. Apesar da importância da eleição, pouco mais da metade dos cerca de 41 milhões de eleitores aptos participou da votação.
O percentual relativamente baixo de comparecimento pode se tornar um fator decisivo no segundo turno. As campanhas dos dois candidatos deverão concentrar esforços na mobilização dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno.
A capacidade de ampliar a participação eleitoral poderá influenciar diretamente o resultado da disputa, especialmente diante da pequena diferença registrada entre os finalistas.
Apoio da direita fortalece De la Espriella
Logo após a divulgação dos resultados, a senadora Paloma Valencia, ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe e uma das principais representantes da direita colombiana, reconheceu a derrota.
Valencia, que até recentemente aparecia como uma das favoritas desse campo político, obteve menos de 7% dos votos e anunciou apoio a Abelardo de la Espriella para a segunda etapa da eleição.
A movimentação pode reforçar a candidatura do advogado, que buscará consolidar o eleitorado conservador e atrair também votantes de centro.
Com dois projetos políticos distintos em disputa, a eleição presidencial colombiana entra agora em sua fase decisiva. O resultado de 21 de junho definirá não apenas o próximo presidente do país, mas também os rumos das políticas econômicas, sociais e de segurança em uma das principais nações da América Latina.






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