A eleição presidencial da Colômbia será decidida em segundo turno. Com mais de 99% das urnas apuradas neste domingo (31), o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou a disputa na liderança, com mais de 43% dos votos, mas sem alcançar a maioria necessária para vencer já na primeira rodada.
Ele enfrentará no segundo turno, marcado para 21 de junho, o senador de esquerda Iván Cepeda, que recebeu cerca de 40% dos votos e conta com o apoio do presidente colombiano Gustavo Petro.
A votação ocorre em um cenário de forte polarização política e é vista como um teste para o legado do primeiro governo de esquerda da história recente do país. Petro está impedido constitucionalmente de disputar a reeleição.
Segurança dominou o debate eleitoral
A segurança pública foi um dos principais temas da campanha presidencial. A Colômbia enfrenta uma nova escalada da violência em regiões dominadas por grupos armados envolvidos com narcotráfico, mineração ilegal e extorsão.
Durante o processo eleitoral, o país registrou episódios de violência, incluindo ataques com explosivos, ações de grupos armados e o assassinato do então candidato presidencial Miguel Uribe Turbay.
De la Espriella defende uma política de enfrentamento direto às organizações criminosas, com ampliação das operações militares e construção de megapresídios. O candidato costuma citar como referências as políticas de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Já Cepeda aposta na retomada das negociações com grupos armados e na ampliação de políticas sociais. O senador participou das negociações de paz que culminaram no acordo firmado em 2016 entre o governo colombiano e as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Disputa também reflete avaliação do governo Petro
A candidatura de Iván Cepeda é vista como uma tentativa de dar continuidade às políticas implementadas por Gustavo Petro. Entre as medidas defendidas pelo campo governista estão programas de combate à desigualdade, ampliação da proteção social e reforma agrária.
Por outro lado, adversários do governo afirmam que a estratégia de diálogo com grupos armados produziu resultados limitados e permitiu o fortalecimento de organizações criminosas em algumas regiões do país.
A terceira colocada na disputa foi a senadora conservadora Paloma Valencia, que obteve quase 7% dos votos e ficou fora da corrida presidencial.
Congresso fragmentado deve desafiar próximo presidente
Independentemente do vencedor em junho, o próximo presidente colombiano deverá enfrentar um Congresso fragmentado, cenário que já marcou o governo Petro.
As eleições legislativas realizadas em março indicaram que nenhuma força política terá maioria suficiente para governar sozinha, o que deverá obrigar o futuro presidente a construir alianças para aprovar reformas e projetos considerados estratégicos.
O segundo turno está marcado para 21 de junho e definirá quem comandará a Colômbia pelos próximos quatro anos.






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