Exploração ilegal de areia é flagrada na Praia do Pepê e amplia alerta sobre degradação ambiental no Rio

Operação do Comando de Policiamento Ambiental flagra máquinas atuando sem licença; caso se soma a série de irregularidades recentes

Policiais do Comando de Policiamento Ambiental (CPAM) flagraram, na madrugada desta sexta-feira, uma operação irregular de extração de areia e retirada de vegetação nativa na Praia do Pepê, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

De acordo com a corporação, um caminhão e uma retroescavadeira estavam sendo usados na atividade ilegal, sem que os operadores apresentassem qualquer documentação exigida por lei para a execução do serviço. Três pessoas foram levadas para prestar depoimento na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, enquanto os equipamentos foram apreendidos. Uma perícia foi realizada no local, e a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades.

O caso reacende a preocupação de ambientalistas e autoridades com a ocupação irregular e o desmatamento de áreas sensíveis da orla carioca, especialmente nas praias da Barra e do Recreio.

Destruição em série na restinga

Nos últimos meses, a região vem acumulando episódios de degradação ambiental. Estudos recentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontam que a expansão urbana desordenada e a supressão da vegetação de restinga ampliam o risco de erosão costeira e de ressacas — fenômenos já observados com força no Leblon e que agora ameaçam se repetir na Zona Sudoeste.

No fim de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra dois estabelecimentos — o Clássico Beach Club Downwind e a escola DKS Kite School — por instalação de deques, banheiros, cercas e áreas gramadas sobre a areia, além de restrição ao acesso público. A ação também responsabiliza a concessionária Orla Rio, a prefeitura e a União por falhas na fiscalização e pede a remoção das estruturas, a recuperação da restinga e a garantia de livre circulação da população.

Quiosques notificados por ocupação desordenada

No mesmo dia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) notificou 67 quiosques na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes por ocupação desordenada e danos ambientais. A operação teve caráter educativo e deu prazo de 30 dias para que os responsáveis corrigissem as irregularidades, com medidas que incluem a retirada de construções sobre áreas de preservação e o reflorestamento de trechos degradados.

Para orientar os concessionários, a Smac instalou uma base de atendimento na sede da Área de Proteção Ambiental (APA) da Orla Marítima. A secretaria destacou que ações contínuas de fiscalização devem ser mantidas, com foco na recuperação da restinga — uma das últimas barreiras naturais contra o avanço do mar.

O flagrante desta sexta-feira reforça a urgência de respostas coordenadas entre órgãos ambientais, Ministério Público e forças de segurança, diante da pressão crescente sobre as áreas costeiras do Rio.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading