O Exército Brasileiro investiu cerca de R$ 1,27 bilhão na compra de novos mísseis anticarro e veículos blindados nos últimos anos, com o objetivo de reforçar a capacidade de defesa terrestre diante de ameaças consideradas contemporâneas e futuras.
A informação é do jornal Folha de São Paulo. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e indicam que as aquisições ocorreram principalmente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a Força, o objetivo das compras é aprimorar a capacidade de dissuasão militar e garantir que as tropas estejam preparadas para enfrentar conflitos modernos.
Compra de mísseis
Em 2025, o Exército adquiriu 220 mísseis anticarro, com investimento total de R$ 153,8 milhões.
Entre os equipamentos comprados estão:
- 100 mísseis Javelin FGM-148F, adquiridos em acordo com o governo dos Estados Unidos
- 120 mísseis 1.2 AC Max, fabricados no Brasil pela empresa SIATT Engenharia, Indústria e Comércio, sediada em São José dos Campos (SP)
De acordo com os militares, sistemas anticarro são considerados fundamentais em combates terrestres, especialmente contra colunas de veículos blindados.
Lições da guerra moderna
O Exército afirma que conflitos recentes influenciaram diretamente a estratégia militar brasileira.
Entre os exemplos citados estão a Guerra Russo-Ucraniana e os confrontos envolvendo Palestina e Israel.
Segundo os militares, a experiência da Ucrânia demonstrou a eficácia de mísseis portáteis na neutralização de blindados.
Já em conflitos urbanos no Oriente Médio, armas anticarro também têm sido usadas para enfrentar forças mecanizadas mais pesadas.
Novos blindados
Além dos mísseis, o Exército adquiriu 163 veículos blindados entre 2023 e 2026, com gasto de aproximadamente R$ 1,12 bilhão.
A maior parte é do modelo VBTP Guarani 6×6, fabricado pela IDV Brasil, em Sete Lagoas (MG).
O veículo possui:
- capacidade anfíbia, podendo operar em rios
- velocidade de até 110 km/h
- autonomia de cerca de 600 quilômetros
- peso aproximado de 18 toneladas
O programa faz parte do projeto de modernização das Forças Blindadas do Exército.
Tensão regional influenciou decisões
Segundo militares envolvidos nas decisões estratégicas, um dos principais fatores que aceleraram as compras foi a crise territorial entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo.
No fim de 2023, a movimentação militar do governo de Nicolás Maduro gerou preocupação sobre uma possível ofensiva contra a Guiana que poderia envolver território brasileiro.
Na ocasião, o Brasil chegou a deslocar aviões, tropas e veículos blindados para o estado de Roraima, reforçando a segurança na fronteira.
Novo cenário geopolítico
O contexto regional mudou após uma ofensiva militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro em Caracas.
O episódio levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedir aos militares novas avaliações sobre vulnerabilidades da defesa brasileira diante de possíveis intervenções externas.
Apesar das tensões, Lula tem defendido que a América do Sul permaneça como uma região de paz, embora ressalte a necessidade de manter capacidade militar para garantir a soberania nacional.
As Forças Armadas, por sua vez, afirmam que a modernização do arsenal busca preparar o país para cenários de conflito cada vez mais complexos, marcados por guerras híbridas, disputas territoriais e novos tipos de armamento.






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