A experiência acumulada no comando de algumas das principais prefeituras do Rio de Janeiro não foi suficiente para garantir uma cadeira no Legislativo nas eleições deste domingo (4). Ex-prefeitos conhecidos em diferentes regiões do estado entraram na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa (Alerj), mas terminaram fora da relação de eleitos.
Entre os casos estão Lívia de Chiquinho (Republicanos), ex-prefeita de Araruama; Axel Grael (PDT), que comandou Niterói; Marquinho Mendes (MDB), ex-prefeito de Cabo Frio; Rubens Bomtempo (PT), ex-prefeito de Petrópolis; e Rodrigo Drable (Solidariedade), que governou Barra Mansa. Os resultados evidenciaram a dificuldade de transformar a força eleitoral construída em bases municipais em votos espalhados pelo estado.
Lívia e Axel ficam longe de uma vaga na Câmara
Lívia de Chiquinho, que administrou Araruama por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, concorreu a deputada federal pelo Republicanos. A ex-prefeita recebeu 4.967 votos, equivalentes a cerca de 0,06% dos votos válidos, e não conseguiu uma cadeira. Em 2020, quando foi reeleita para comandar Araruama, Lívia havia conquistado 40.620 votos no município.
Outro resultado de destaque foi o de Axel Grael. Prefeito de Niterói entre 2021 e 2024, o pedetista concorreu a deputado federal e terminou a eleição com 14.513 votos, ou 0,16% dos válidos. O número contrasta com a eleição municipal de 2020, quando Grael chegou à prefeitura ainda no primeiro turno com 151.846 votos, equivalentes a 62,56% dos válidos.
A disputa de Grael também foi marcada pela concorrência interna no PDT. Vitor Junior, deputado estadual e outro nome do partido ligado a Niterói, obteve 56.876 votos, mas também não conquistou uma cadeira na Câmara. Como mostrou a Agenda do Poder, a diferença entre os dois pedetistas superou 42 mil votos.
Marquinho Mendes também fica fora
Na Região dos Lagos, Marquinho Mendes tentou retornar à vida parlamentar concorrendo a deputado estadual pelo MDB. Ex-prefeito de Cabo Frio por três vezes e ex-deputado estadual, ele recebeu 5.652 votos e ficou como suplente, distante das votações dos candidatos que conquistaram as 70 cadeiras da Alerj.
A trajetória eleitoral de Marquinho inclui vitórias para a Prefeitura de Cabo Frio em 2004, 2008 e 2016. Na última delas, conquistou 44.161 votos. Ele também já havia tentado chegar à Câmara dos Deputados, em 2014, quando recebeu 45.581 votos e não foi eleito.
Bomtempo e Drable também não conseguem mandato
Em Petrópolis, Rubens Bomtempo (PT), que já comandou a prefeitura da cidade, disputou uma vaga de deputado federal. Ele recebeu 19.613 votos e terminou como suplente da federação formada por PT, PCdoB e PV.
No Sul Fluminense, o ex-prefeito de Barra Mansa Rodrigo Drable (Solidariedade) tentou chegar à Alerj. Drable, eleito prefeito em 2016 e reeleito em 2020 com 43.323 votos, recebeu cerca de 9,8 mil votos na eleição estadual e também ficou fora da relação de eleitos.
Os resultados mostram que o histórico de vitórias municipais não garantiu, por si só, a expansão das bases eleitorais para uma disputa estadual. Ao mesmo tempo, outros ex-prefeitos conseguiram fazer essa transição: Manoela Peres (PL), que governou Saquarema, por exemplo, foi eleita deputada federal com 117.648 votos.







Deixe um comentário