A eleição terminou nas urnas, mas a composição definitiva da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ainda depende de decisões judiciais. Candidatos com registros indeferidos concorreram sub judice, receberam dezenas de milhares de votos e aguardam o julgamento de recursos que, dependendo do resultado, podem provocar uma nova totalização e alterar a relação dos 70 deputados estaduais eleitos.
João Drumond (PRD), Diego Alba (PSDB), Renato Machado (PT), Val Ceasa (PRD) e Paulo Melo (União) estão entre os casos de maior votação. Todos superaram nominalmente os 27.447 votos obtidos por Carlos Russo (DC), que aparece na relação atual como o deputado estadual eleito com a menor votação individual.
Isso não significa, porém, que a eventual validação dos votos simplesmente colocaria esses candidatos no lugar dos menos votados. A eleição para deputado estadual segue o sistema proporcional, no qual também são considerados os desempenhos dos partidos e federações, além do quociente eleitoral e das regras para distribuição das vagas restantes.
João Drumond recebe 55 mil votos
João Drumond, candidato do PRD, recebeu 55.759 votos. Seu registro havia sido indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em setembro. Neto do contraventor Luizinho Drumond, o candidato teve sua campanha relacionada, no processo eleitoral, a uma suposta “estrutura familiar e político-territorial” ligada à contravenção e à escola de samba Imperatriz Leopoldinense.
A ação também menciona a participação de Drumond em atividades de pré-campanha de Mariana Souza, candidata do PP e mulher de Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como Zé Dirceu, apontado como liderança alagoana do Comando Vermelho. Drumond nega participação no jogo do bicho e qualquer envolvimento com facções ou organizações criminosas.
Diego Alba e Renato Machado passam dos 48 mil
Diego Alba (PSDB) concorreu sub judice e recebeu 48.547 votos. Seu registro foi indeferido após relatórios de inteligência apontarem que o candidato teria recebido autorização da cúpula do Comando Vermelho para fazer campanha em territórios dominados pela facção.
O PSDB anunciou recurso e contestou a associação entre a realização de campanha em comunidades e um eventual apoio de organização criminosa.
Renato Machado (PT) aparece em situação semelhante em relação ao peso eleitoral. Ele recebeu 48.300 votos e teve a candidatura contestada em uma ação que o aponta como suspeito de ser “líder do núcleo político e mentor intelectual” de uma organização criminosa. A estrutura investigada teria atuação política, financeira e armada em Maricá.
Val Ceasa tem 47 mil votos
Candidato à reeleição, Val Ceasa (PRD) recebeu 47.080 votos. A impugnação de sua candidatura menciona investigações sobre supostos vínculos com o Terceiro Comando Puro (TCP).
O deputado também aparece em investigação relacionada a uma suposta tentativa de impedir a demolição de imóveis em Parada de Lucas, entre eles uma construção atribuída a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe da facção.
Outra investigação citou Val no contexto de uma suposta tentativa do Comando Vermelho de aproximação com políticos. A defesa sustenta que “fatos atribuídos a terceiros ou referências a investigações” não podem ser imputados ao candidato sem provas concretas e individualizadas.
Paulo Melo também aguarda decisão
Paulo Melo (União) recebeu 33.546 votos e também teve a candidatura impugnada. O processo cita investigação relacionada à exploração de máquinas caça-níqueis e decisões anteriores da Justiça Eleitoral envolvendo possível interferência de organizações criminosas no processo eleitoral.
O político nega as acusações. Além dos cinco candidatos com votações mais expressivas, também aguardam a análise de recursos Vaguinho Neguinho (PRD) e Luiz Martins (PSDB).
Nova totalização pode alterar lista
A situação permanece indefinida porque a validação de votos em uma eleição proporcional pode produzir efeitos que vão além do candidato diretamente envolvido no processo. Os votos para deputado estadual ajudam a determinar o desempenho de partidos e federações. Uma eventual mudança pode exigir nova totalização, afetando quocientes e a distribuição das vagas entre as legendas.
Por isso, a lista atual dos 70 deputados estaduais não necessariamente será a definitiva caso os recursos dos candidatos que concorreram sub judice sejam aceitos. Dependendo das decisões, candidatos hoje considerados eleitos podem perder a vaga, enquanto outros podem passar a integrar a próxima legislatura. A posse dos deputados estaduais eleitos está prevista para 1º de fevereiro de 2027.







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