Ex-delegado da PF é condenado a mais de 14 anos por dois crimes

Investigações contra Wallace Noble apontam ocultação de patrimônio obtido por meio de corrupção

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o ex-delegado da Polícia Federal Wallace Noble a 14 anos, seis meses e 15 dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A sentença, assinada pela juíza Caroline Figueiredo em 8 de junho, também determina o pagamento de 341 dias-multa, totalizando cerca de R$ 130 mil. O ex-policial poderá recorrer em liberdade.

A condenação é resultado de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que apontaram a ocultação de patrimônio proveniente de crimes de corrupção. Segundo a decisão, Wallace Noble utilizou diferentes mecanismos para disfarçar a origem de recursos obtidos de forma ilícita.

De acordo com as apurações, entre 2016 e 2018 o então delegado recebeu vantagens indevidas para favorecer empresários investigados em inquéritos conduzidos pela Polícia Federal. Um dos casos envolve o recebimento de R$ 480 mil para atuar em favor de empresários investigados por suspeita de fraude em licitações na região de Volta Redonda, no Sul Fluminense.

Mesada

As investigações também apontam que, posteriormente, Noble passou a receber pagamentos mensais de R$ 5 mil de um empresário. A propina teria sido substituída pela cessão de um imóvel pertencente à família do investigado, onde o delegado passou a morar sem arcar com aluguel, numa tentativa de ocultar o benefício recebido.

Outro episódio apurado indica que o ex-delegado recebeu cerca de R$ 930 mil entre julho e dezembro de 2018 para interferir em investigações conduzidas por outra unidade da Polícia Federal. Segundo o Ministério Público Federal, ele teria prometido utilizar sua influência funcional para beneficiar investigados, mesmo sem atuar diretamente nos procedimentos.

A sentença destaca que Wallace Noble ocultou ao menos R$ 92,9 mil investidos em uma academia da qual era sócio. Para esconder sua participação no negócio, as cotas da empresa foram registradas em nome de sua então companheira. Além disso, a investigação identificou a aquisição de veículos incompatíveis com sua renda declarada, incluindo um automóvel pago por meio de parcelas mensais de R$ 10 mil, somando aproximadamente R$ 130 mil.

Documentos falsos

Para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras, o ex-delegado também teria participado da emissão de documentos falsos, incluindo notas fiscais e cerca de 40 notas promissórias fraudulentas, configurando o crime de falsidade ideológica.

Preso durante uma operação deflagrada em outubro de 2020, Wallace Noble foi alvo de investigações que apuravam um esquema de pagamento de propinas a agentes públicos em troca de proteção e favorecimento em investigações policiais. Em setembro de 2023, ele foi demitido da Polícia Federal pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino.

Segundo o Ministério Público Federal, as investigações revelaram a existência de um grupo que utilizava a influência de agentes públicos para impedir que apurações alcançassem empresários dispostos a pagar valores elevados em troca de benefícios indevidos. A defesa do ex-delegado ainda não se manifestou sobre a condenação.

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