Ex-agente do Mossad é investigado por ajudar Flávio Bolsonaro a fugir para os EUA

Menachem Booky Halevy teria participado da operação que levou o senador e sua família à Argentina; investigação identificou deslocamentos de duas vans da mesma empresa

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Um ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, está sendo investigado por suposta participação na operação que teria ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família a deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. A participação do israelense no caso foi revelada pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo.

Identificado como Menachem Booky Halevy, ele aparece como passageiro de uma van que atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina sete minutos antes da passagem de outro veículo que supostamente transportava Flávio Bolsonaro e seus familiares. As duas vans pertencem à empresa brasileira Dallas Turismo.

Segundo a reportagem, Halevy já esteve no Brasil outras três vezes neste ano. Sua entrada mais recente ocorreu em 19 de outubro. Ele também aparece em fotografias ao lado de autoridades israelenses, entre elas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Advogado de Bolsonaro também estava na van

O outro passageiro do veículo era o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já integrou a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. O motorista Neri Luiz Dala Corte afirmou ao Fantástico que foi contratado para transportar dois homens até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, e negou ter visto integrantes da família Bolsonaro.

O deslocamento chamou a atenção de jornalistas argentinos que estavam no aeroporto. O repórter Nicolás Munafó, do canal C5N, relatou ter observado uma operação com veículos oficiais e escolta policial nas proximidades do terminal.

Segundo ele, uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina seguia à frente da comitiva. Depois, passaram duas caminhonetes brasileiras, com motoristas do país, e outros dois veículos argentinos, um deles com placa diplomática.

Registros apontam uso de três documentos

Os registros da imigração argentina também levantaram suspeitas sobre a movimentação na fronteira. Documentos indicam três entradas do senador utilizando a mesma van. A primeira ocorreu às 22h37, com apresentação do passaporte italiano. Outras duas foram registradas às 22h40, com carteira de motorista, e às 23h11, com passaporte brasileiro.

As duas entradas feitas com documentos brasileiros foram posteriormente canceladas. Apenas o registro realizado com o passaporte italiano permaneceu válido.

A mulher de Flávio, Fernanda, e as duas filhas teriam seguido outro trajeto. As três partiram de Brasília em uma aeronave com destino a Cascavel, no oeste do Paraná. Às 20h02, embarcaram em uma van da Dallas Turismo, que atravessou a fronteira argentina horas depois.

Jato ligado a advogado também entrou na investigação

Outro ponto apurado envolve um avião Cessna Citation Excel relacionado ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A aeronave teria sido utilizada por Flávio para deixar o país. Em nota ao Fantástico, Tomaz negou que a viagem tenha ocorrido.

O advogado também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dois inquéritos que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro. As investigações envolvem operações relacionadas a empresas de apostas esportivas e repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

Ao Fantástico, Willer Tomaz negou envolvimento em qualquer prática criminosa. As circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e a possível participação de pessoas ligadas à operação continuam sob investigação.

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