O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação de vistos de entrada para brasileiros que participaram do programa Mais Médicos, alegando “fraude diplomática” e exploração de profissionais cubanos. Segundo o Departamento de Estado, a medida atinge também ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e familiares. A decisão, revelada pelo jornal O Globo, intensifica a crise diplomática entre Brasília e Washington.
Entre os nomes divulgados estão Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman. De acordo com o comunicado oficial, eles teriam atuado em um esquema “coercitivo” que, segundo os EUA, beneficiou o “regime cubano corrupto” e privou a população de Cuba de cuidados médicos. O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o Mais Médicos como “uma fraude diplomática inconcebível de missões médicas estrangeiras”.
O Departamento de Estado afirmou que o programa, criado em 2013 no governo Dilma Rousseff e relançado por Luiz Inácio Lula da Silva, foi executado sem seguir a Constituição brasileira e “explorou” trabalhadores cubanos por meio de trabalho forçado. Rubio indicou que novas punições podem ser aplicadas a outros envolvidos.
A medida ocorre semanas após os EUA aplicarem sanções comerciais ao Brasil e restringirem vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, que também foi alvo de bloqueio de bens pela Lei Magnitsky. O governo Trump vem ampliando a pressão desde que sobretaxou em 50% produtos brasileiros, em um movimento que, segundo integrantes do governo Lula, busca influenciar processos contra Jair Bolsonaro no STF.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com críticas diretas. Ela acusou os EUA de “ofensa gravíssima” ao país e disse que Trump age em conluio com Bolsonaro para “chantagear” o Judiciário brasileiro. O Itamaraty também repudiou a decisão, classificando-a como “ataque frontal à soberania brasileira” e prometendo não se curvar a pressões externas.
O Programa Mais Médicos foi criado para levar atendimento médico a regiões carentes do Brasil, contando inicialmente com profissionais cubanos enviados por meio de acordo de cooperação. A nova ofensiva dos EUA coloca em xeque não apenas a política de saúde brasileira, mas também as relações diplomáticas em um momento de forte tensão comercial e política entre os dois países.






Deixe um comentário