Alvo de sanção dos EUA, programa Mais Médicos conta atualmente com apenas 10% de profissionais cubanos

EUA revogaram visto de brasileiros participantes do Mais Médicos, alegando que programa beneficiou o “regime cubano corrupto”

Os médicos cubanos representam atualmente apenas 10% do total de profissionais do programa Mais Médicos, segundo dados atualizados do painel de monitoramento do Ministério da Saúde e reportados pelo colunista Carlos Madeiro, do portal UOL. Ontem, o programa foi alvo de críticas do governo dos Estados Unidos, que suspendeu vistos de autoridades brasileiras ligadas à sua implementação.

De acordo com o comunicado oficial dos EUA, os participantes do programa foram sancionados pois teriam atuado em um esquema “coercitivo” em benefício do “regime cubano corrupto”. O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou o Mais Médicos como “uma fraude diplomática inconcebível de missões médicas estrangeiras”.

Atualmente, o Brasil conta com 26.414 médicos ativos pelo programa, dos quais 2.659 são cubanos. O percentual já foi superior a 60% na década passada. Entre os cubanos, 1.064 conseguiram registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) por meio da prova do Revalida, enquanto 1.593 atuam como intercambistas, ocupando vagas não preenchidas por brasileiros — independentemente de terem ou não diploma revalidado.

Distribuição regional dos médicos cubanos no Brasil:

  • Sudeste: 883
  • Nordeste: 643
  • Sul: 640
  • Norte: 382
  • Centro-Oeste: 111

O Mais Médicos está presente em 4,7 mil municípios. Os estrangeiros ocupam apenas a terceira prioridade na escala de contratações: primeiro, médicos com CRM; segundo, brasileiros formados no exterior sem revalidação; e, por último, médicos estrangeiros formados em outros países. Profissionais sem diploma revalidado só podem atuar em unidades básicas de saúde e em municípios previamente definidos.

Países com mais profissionais no Mais Médicos:

  • Cuba: 2.659
  • Bolívia: 188
  • Venezuela: 82
  • Paraguai: 55
  • Peru: 42

Origem e mudanças do programa

O Mais Médicos foi lançado em junho de 2013 pela então presidente Dilma Rousseff para atender municípios com dificuldade de contratar e manter profissionais. Os primeiros cubanos chegaram ao Brasil em agosto daquele ano, via parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), para preencher vagas recusadas por brasileiros, sobretudo em áreas de alta vulnerabilidade social, como o semiárido e a Amazônia.

O modelo original gerou críticas porque o pagamento de R$ 10 mil mensais era feito ao governo cubano, que repassava apenas parte do valor aos médicos. Em dezembro de 2014, havia 11,2 mil cubanos no programa, representando 62% do total de 18 mil médicos.

A participação de Cuba foi interrompida em 2018, após o país se retirar do acordo diante de medidas do então presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, já eleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de trazer os cubanos e outros estrangeiros de volta para preencher a lacuna que ainda existia em locais vulneráveis. Em janeiro de 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a recontratação de 1.789 médicos cubanos que atuaram no 20º ciclo do programa, marcando o início de seu retorno.

Em março de 2023, Lula e a então ministra da Saúde, Nísia Teixeira, lançaram um novo ciclo do Mais Médicos, priorizando brasileiros, mas mantendo espaço para estrangeiros em áreas mais carentes onde muitos médicos formados no Brasil não desejam atuar.

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