Estudo da UFRJ aponta diferenças entre sexos no estresse crônico

Resultados de pesquisa com camundongos podem contribuir para tratamentos individualizados

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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigaram como machos e fêmeas respondem ao estresse crônico. O estudo, desenvolvido no Laboratório de Farmacologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas, identificou diferenças comportamentais e hormonais entre os sexos em camundongos submetidos a situações prolongadas de estresse. Os resultados foram publicados no artigo “Diferenças sexuais nas respostas comportamentais ao estresse crônico moderado e imprevisível“, na revista European Journal of Neuroscience.

A pesquisa utilizou camundongos Swiss expostos, durante semanas, a situações de estresse ambiental por meio do modelo experimental conhecido como Estresse Crônico Moderado Imprevisível (CUMS, na sigla em inglês).

Diferenças nas respostas

Segundo a professora Gilda Neves, pesquisadora da UFRJ que participou do estudo, machos e fêmeas apresentaram aumento de ansiedade no início dos experimentos. Com o prolongamento da exposição ao estresse, porém, as respostas passaram a se diferenciar. As fêmeas apresentaram respostas mais intensas em comportamentos associados à depressão.

Os pesquisadores também observaram maior produção de corticosterona nas fêmeas, hormônio relacionado à resposta fisiológica ao estresse. Nos seres humanos, o cortisol exerce função semelhante.

Neves ressalta que os resultados se referem aos aspectos biológicos investigados nos animais. A experiência humana de estresse também é influenciada por fatores sociais, como machismo, misoginia e desigualdade de oportunidades, que não podem ser reproduzidos nesse modelo experimental.

Contribuições para futuras pesquisas

Para a pesquisadora, compreender as diferenças biológicas entre os sexos pode contribuir para investigações sobre tratamentos mais individualizados para condições como ansiedade e depressão. Ainda são necessários estudos para compreender como os resultados obtidos em camundongos podem contribuir para abordagens aplicadas à população humana.

Os próximos passos do grupo incluem investigar diferenças em cada sexo, ampliando a compreensão sobre os mecanismos envolvidos nas respostas ao estresse crônico. Os experimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais de Laboratório da UFRJ e seguiram as diretrizes do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea).

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