Os criminosos responsáveis por levar o corpo do bebê João Pedro Soares, de 9 meses, do jazigo familiar onde a criança foi sepultada em 2022, no Cemitério Vila Esperança, em Magé, na Baixada Fluminense, não mexeram em outro cadáver, também enterrado na mesma sepultara coletiva. Os restos mortais de um adolescente, de 15 anos, parente do pequeno João, permaneceram intactos e foram deixados no local. Um buraco foi feito pelos autores do crime, entre a tampa e a base do túmulo, por onde provavelmente foi retirado o caixão com o corpinho do menino.
O desaparecimento do corpo do bebê foi descoberto na data de 2 de novembro último, no Dia de Finados, quando uma tia da criança foi visitar o túmulo e encontrou a sepultura violada. Ele avisou Sebastião Luiz Soares, avô de João, de 53, que por sua vez contou para a filha Jéssica Gonçalves Alves, de 23, mãe de João, o que tinha acontecido. Nesta quarta-feira, o delegado Celso Gustavo Castello Ribeiro, da 65ªDP (Magé), responsável pela investigação do caso, confirmou que uma perícia foi feita no jazigo.
O objetivo é o de tentar encontrar pistas que levem até os autores do crime. Agentes procuram ainda imagens de câmeras que ajudem a esclarecer como o sumiço ocorreu. Funcionários do cemitério foram ouvidos pela polícia, que apura o caso sem dar maiores detalhes para não atrapalhar a investigação.
— Sumiu tudo. O caixão, o corpinho do meu neto, tudo. Fui à delegacia e fiz um boletim de ocorrência. Nossa família sofreu duas vezes. O primeiro o sofrimento da morte do João. E agora este fato (do sumiço do corpo). Nosso coração foi quebrado duas vezes. A gente fica sem chão e quer Justiça. Este corpo tem de aparecer— disse.
João Pedro Soares foi enterrado no Cemitério de Vila Esperança, no dia 17 de novembro de 2022. Ele morreu após permanecer seis dias internado em um hospital, em São Gonçalo, com problemas cardíacos e insuficiência renal. Sebastião e a filha Jéssica estiveram, nesta quarta-feira, no cemitério, mas voltaram para casa sem saber onde foi parar o corpo do pequeno João Pedro. O caso foi registrado pela família na 65aDP(Magé), que investiga o crime de subtração de cadáver. O delito, em caso de identificação do culpado e posterior condenação, em pena prevista que varia de um a três anos de prisão.
— Soube no dia 2 mesmo, quando uma tia veio no cemitério e encontrou o jazigo quebrado e sem o corpo do meu filho. Viemos na segunda-feira seguinte, dia 4, e confirmamos tudo. Na hora em que vi o túmulo com o buraco aberto e sem o corpo do meu filho, eu entrei em desespero — disse Jéssica.

Segundo Sebastião Luiz Soares, a informação que a família recebeu da administração do cemitério municipal é a de que ainda não se sabe como o corpo desapareceu.
O Cemitério de Vila Esperança fica no Centro de Magé e ocupa uma área equivalente a quase quatro quarteirões, em meio ao chão com mato e algumas árvores. Há diversos corpos sepultados em covas rasas e ainda jazigos espalhados por vários pontos.

O túmulo de onde o corpo do bebê foi retirado é feito de tijolos, massa e alvenaria, e fica quase na parte final do cemitério. O local é protegido por um muro nas laterais, portão de entrada e contaria ainda com um vigia.
Procurada, a Prefeitura de Magé, que administra o Cemitério de Vila Esperança, disse que abriu sindicância para apurar o caso e informou ter afastado o coordenado do cemitério. Abaixo, a íntegra da nota enviada ao Globo.
“A Prefeitura de Magé abriu uma sindicância interna para apurar as condições em que ocorreu a violação do túmulo e afastou o coordenador do cemitério. Pensando em cuidar da manutenção e segurança dos cemitérios, a Prefeitura ressalta ainda que já existe um processo, iniciado em junho, em andamento para a concessão de uma iniciativa pública-privada para a administração das unidades.
Sobre os cuidados com o espaço, a Secretaria de Infraestrutura, responsável pelos cemitérios, ressaltou que a manutenção do terreno é feita com frequência.”
Com informações de O Globo





