Em meio à turbulência política que marcou a sessão desta quarta-feira (10), o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) criticou abertamente a condução dos trabalhos da Casa após a manutenção do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
Lira, que articulou a ofensiva pela cassação do parlamentar do PSOL, demonstrou forte descontentamento com o resultado. Em mensagens enviadas ao grupo de seu partido na Câmara, afirmou: “Tem que reorganizar a Casa. Está uma esculhambação”. Glauber escapou da perda do mandato, mas foi punido com suspensão de seis meses.
Críticas ao comando de Hugo Motta
O ex-presidente também direcionou suas críticas ao atual comandante da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo Lira, a condução da sessão expôs fragilidades na gestão. Ele relembrou que o PSOL apresentou uma representação contra Motta na Procuradoria-Geral da República (PGR) após a retirada forçada de Glauber da cadeira da Presidência durante protesto contra seu próprio processo de cassação.
Motta foi alvo de críticas internas desde a véspera, quando a tensão no plenário escalou com a resistência de Glauber em deixar a Mesa Diretora. O episódio aprofundou divisões na Casa e ampliou a pressão sobre a atual presidência.
Disputa política e “orçamento secreto”
Segundo Glauber Braga, sua ruptura com Lira ocorreu durante a legislatura em que o alagoano comandou a Câmara, quando o deputado do PSOL denunciou o chamado “orçamento secreto”. O mecanismo, adotado para distribuição de emendas sem transparência, foi um dos pontos mais controversos da gestão de Lira.
A votação desta quarta terminou em derrota para o centrão e para Hugo Motta, ao mesmo tempo em que deu força à esquerda e ao PL, que atuaram pela suspensão — e não cassação — de Glauber.
Caso Zambelli entra na disputa
Após a derrota, Lira também defendeu que o processo contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP), analisado no mesmo dia, fosse adiado. “Não existe continuar votando”, afirmou. Para ele, não faria sentido prosseguir com a cassação, pois a própria Mesa deveria decretar a perda do mandato da parlamentar devido às ausências acumuladas — consequência de sua prisão na Itália.
Zambelli, condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acabou mantida no cargo após votação em plenário, mesmo sem comparecer às sessões.
Votos e desfecho
Na análise do caso de Zambelli, o placar ficou em 227 votos a favor da cassação e 170 contra. Eram necessários 257 votos para que o mandato fosse derrubado. Outros dez deputados se abstiveram.
As duas votações confirmaram um dia de tensão política, marcado por derrotas para o centrão, desgaste para o comando da Casa e fortalecimento de articulações à esquerda e no campo bolsonarista — um cenário que tende a acirrar ainda mais as disputas internas na Câmara nos próximos meses.






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