O seminário do PT sobre segurança pública, realizado nesta terça-feira (2) no Rio de Janeiro, tomou um rumo inesperado após uma fala do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional da sigla, Washington Quaquá. Durante sua intervenção, ele voltou a defender a megaoperação realizada em outubro nos complexos da Penha e do Alemão, Zona Norte da cidade, que se tornou a mais letal da história do estado. E fez isso usando palavras que provocaram forte reação entre correligionários.
Segundo Quaquá, a equipe do Bope “só matou otário” durante a ofensiva policial, chamando os alvos de “vagabundo” e “bandido”. Ele afirmou que questionou se havia trabalhadores entre os mortos e ouviu que não.
“Eu acho que a operação foi malsucedida não é pelo número de mortos. O Complexo da Penha tem mais de mil soldados do tráfico. Então, se fosse para matar, tinha que matar mil soldados”, disse o prefeito, defendendo que o problema central foi a falta de ocupação permanente nas comunidades.
A operação citada por Quaquá deixou 122 mortos, incluindo cinco policiais, e provocou duras críticas de organizações de direitos humanos e de parte da própria esquerda. O posicionamento do prefeito de Maricá, no entanto, vai na direção oposta à adotada por boa parte do partido.
Essa não é a primeira vez que ele se manifesta nesse sentido. No dia seguinte à operação, Quaquá declarou que a ação havia sido “necessária” para retirar das facções áreas inteiras tomadas pelo crime organizado. Na ocasião, fez críticas ao governador Cláudio Castro, afirmando que faltou planejamento e que o estado tentou transferir responsabilidade ao governo federal.






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