O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (10), em São Paulo, um novo modelo de crédito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que eleva de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões o valor máximo dos imóveis que podem ser financiados com recursos da poupança. Segundo informa o jornal O Globo, a medida também estabelece um teto para as taxas de juros de 12% ao ano.
A atualização do limite era uma reivindicação antiga do setor da construção civil e deve beneficiar especialmente famílias de classe média, que vinham enfrentando dificuldades para obter financiamento dentro das regras do SFH. O valor não era reajustado desde 2018.
O evento contou com a presença dos ministros Jader Filho (Cidades), Fernando Haddad (Fazenda) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Galípolo diz que novo modelo resolve “problemas estruturais”
Durante o lançamento, Galípolo destacou que o novo modelo representa um avanço na eficiência do crédito imobiliário e na estabilidade econômica.
— Primeiro, conseguir maximizar e multiplicar esses recursos de poupança, culminado com os recursos de mercado, para que a gente possa ter mais recursos para as pessoas que hoje não têm acesso ao financiamento, de maneira que essa elevação da taxa não ocorra. Ou seja, que a gente tenha taxas competitivas de ofertas para as pessoas. E a gente resolve uma questão de estabilidade — afirmou.
O presidente do Banco Central disse ainda ser natural que o setor imobiliário reivindique juros mais baixos, mas ressaltou que a proposta buscou um equilíbrio. “Foi possível encontrar uma solução coletiva que permite que o país tenha mais crédito para as pessoas, com mais estabilidade e controlando a inflação com uma taxa de juros mais baixa”, completou.
“Ninguém fica para trás”, diz Jader Filho
O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que a medida é resultado de um pedido direto do presidente Lula para ampliar as oportunidades de crédito também à classe média. Segundo ele, as famílias dessa faixa de renda estavam fora do alcance dos programas habitacionais do governo.
— Quando eu falo de classe média, eu estou falando de famílias que ganham de R$ 12.500, isso é uma família rica? Se ela for hoje em qualquer banco, dificilmente vai encontrar um financiamento para realizar o sonho da casa própria. E com essa alteração, só a Caixa Econômica vai aumentar em 80 mil novos financiamentos justos, com juros de até 12%, que cabe no bolso dessas famílias, é disso que a gente está falando, este é o recado que temos que dar para o Brasil — declarou.
O ministro também lembrou que o governo tem investido fortemente na Faixa I do programa Minha Casa, Minha Vida, voltada para famílias de baixa renda (com rendimento de até R$ 2.850), mas que era necessário oferecer soluções complementares para quem está acima desse patamar. “Neste governo, ninguém fica para trás”, afirmou.
Injeção de crédito e incentivo aos bancos
De acordo com técnicos do governo, a nova sistemática pode representar uma injeção imediata de até R$ 20 bilhões na economia — e até R$ 37,5 bilhões, dependendo da adesão dos bancos.
A regra prevê que, a cada real concedido em financiamento habitacional, as instituições financeiras poderão liberar o mesmo valor de recursos da poupança para uso livre por um período de cinco anos. Após esse prazo, será necessário renovar a concessão de crédito para manter a autorização.
A expectativa é que esse mecanismo estimule os bancos a aumentar a oferta de crédito imobiliário com juros mais baixos, já que poderão compensar o ganho em outras operações.
Atualmente, 65% dos depósitos da poupança precisam ser destinados obrigatoriamente ao crédito imobiliário, enquanto 20% ficam retidos no Banco Central como depósito compulsório e 15% podem ser usados livremente. No novo modelo, cinco pontos percentuais do compulsório serão liberados para a nova sistemática, reduzindo a exigência para 15% e abrindo margem para novos financiamentos.
Impacto e perspectivas
O período de testes do novo modelo vai até o fim de 2026, com implementação plena prevista para 2027. Segundo o governo, 80% dos recursos liberados deverão ser aplicados no SFH e o restante no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que não tem limite de juros.
Interlocutores do setor avaliam que a medida representa um impulso significativo para o mercado imobiliário e para o crescimento econômico, especialmente em um cenário de juros em queda gradual e recuperação da renda.
Ao final do evento, Lula reforçou que a prioridade do governo é ampliar o acesso à moradia e dinamizar a economia. “O crédito é o que movimenta o país, é o que faz o povo sonhar e realizar. A casa própria é parte do projeto de dignidade do trabalhador”, disse o presidente, segundo auxiliares que acompanharam a cerimônia.






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