O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira, durante sessão da CPI do Crime Organizado no Senado, que fez um apelo aos presidentes de partidos políticos para que adotem mecanismos de triagem e impeçam candidaturas de pessoas associadas a facções criminosas. A preocupação integra uma estratégia mais ampla do governo para conter a infiltração do crime em setores institucionais, econômicos e eleitorais.
Lewandowski ressaltou que o combate apenas repressivo não é suficiente para enfrentar a complexidade do fenômeno. “Já fiz um apelo aos presidentes dos partidos. Só uma atitude repressiva não é suficiente, os presidente de partidos políticos têm a obrigação de fazer a triagem”, afirmou o ministro aos parlamentares.
Infiltração do crime em setores legais e na política
Segundo Lewandowski, a atuação do crime organizado deixou de se restringir a atividades ilegais tradicionais e hoje avança sobre setores da economia formal. Ele classificou o movimento como “um fenômeno novo e global” que demanda uma resposta articulada entre os órgãos de segurança.
“O crime hoje está migrando da legalidade para a ilegalidade, ele está se infiltrando no setor de combustíveis, da coleta de lixo, da construção civil, de streaming. É um crime que hoje está infiltrado até no setor político. Nas últimas eleições, juntamente com o TSE, nós fizemos um esforço para evitar e impedir que o crime se infiltrasse nas eleições municipais”, afirmou.
O ministro destacou que, apesar dos esforços, o risco permanece elevado e exige atuação constante, especialmente às vésperas do próximo ciclo eleitoral.
Fronteiras vulneráveis e falta de recursos
Durante a audiência, Lewandowski também foi questionado sobre a fragilidade do controle das fronteiras brasileiras, porta de entrada de toneladas de drogas e armas de alto calibre utilizadas por facções nacionais. Ele respondeu que a principal barreira para avanços na fiscalização é o déficit de efetivo e de financiamento adequado.
“A resposta para essa questão é: Me perdoem o modo mais incisivo de colocar é dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. Não se faz segurança pública sem dinheiro”, declarou o ministro, criticando o contingenciamento de recursos dos fundos federais destinados à segurança.
A fala gerou repercussão entre os senadores, que consideram o investimento em fronteiras um ponto decisivo no enfrentamento ao crime organizado.
CPI mira falhas estruturais e avanço das facções
A participação de Lewandowski é considerada central no plano de trabalho da CPI, que busca mapear vulnerabilidades institucionais e entender a expansão das facções no país. A oitiva ocorreu uma semana após o promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao PCC, detalhar ao colegiado como grupos criminosos têm aproveitado brechas regulatórias para criar fintechs que operam em uma “zona cinzenta” do sistema financeiro, sem fiscalização do Banco Central e sem comunicação ao Coaf.
Os senadores pretendem usar os depoimentos para propor mudanças legislativas e fortalecer mecanismos de prevenção e repressão, especialmente em áreas onde o crime organizado avança com maior facilidade.






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