Em Brasília, procurador da Alerj tenta diálogo com STF para destravar sucessão no Rio

Pedro Ricardo Ferreira Queiroz busca orientação do ministro Zanin enquanto liminar mantém Ricardo Couto no comando do estado

Em meio à indefinição sobre quem deve assumir o governo do Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa (Alerj) intensificou os movimentos políticos e jurídicos para tentar destravar a sucessão estadual. O procurador da Casa, Pedro Ricardo Ferreira Queiroz, esteve em Brasília na quarta-feira com a missão de buscar interlocução direta com o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da ação que trata do tema.

A iniciativa ocorre em um momento de impasse institucional, após decisões judiciais que alteraram a linha sucessória do estado. A expectativa da Assembleia é obter esclarecimentos sobre os próximos passos formais necessários para comunicar à Corte a nova configuração política interna. As informações são do jornal O Globo.

Disputa pela linha sucessória

O cenário atual foi desencadeado após a condenação do ex-governador Cláudio Castro pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com isso, o ministro Cristiano Zanin determinou, em decisão liminar, que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, permanecesse no comando do Palácio Guanabara de forma interina.

A situação se tornou mais complexa com a chamada dupla vacância no Executivo estadual. Além da saída de Castro, o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Nesse contexto, a Constituição estadual prevê que o próximo na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa.

No entanto, a própria Alerj vivia uma situação de interinidade. Antes da eleição mais recente, a Casa era comandada provisoriamente por Guilherme Delaroli, após a prisão do então presidente Rodrigo Bacellar. Essa circunstância impedia que o Legislativo assumisse o governo.

Nova eleição e interpretação da Assembleia

Com a eleição do deputado estadual Douglas Ruas para a presidência da Assembleia, o entendimento interno passou a ser de que a linha sucessória estaria restabelecida. Ao assumir o cargo, Ruas afirmou que buscaria o caminho do “diálogo” para resolver o impasse.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes da Casa é de que não haveria mais impedimentos jurídicos para que o atual presidente da Alerj assuma o governo do estado. Ainda assim, a decisão final permanece condicionada ao Supremo Tribunal Federal.

Isso porque o julgamento sobre o tema foi interrompido, e a liminar concedida por Zanin segue válida até a conclusão da análise pela Corte. Na prática, isso mantém Ricardo Couto à frente do Executivo fluminense por tempo indeterminado.

Tentativa de interlocução com o STF

A ida do procurador da Assembleia a Brasília faz parte da estratégia de buscar esclarecimentos diretos sobre como formalizar a nova situação junto ao Supremo. Entre as dúvidas levantadas está se seria suficiente apresentar uma petição informando a eleição do novo presidente ou se será necessária outra medida processual.

Apesar da movimentação, auxiliares do ministro Cristiano Zanin indicaram que não há previsão de reunião presencial com representantes da Alerj. Nos bastidores, a tentativa é vista com cautela, e há avaliações de que o impacto prático pode ser limitado.

Ainda assim, interlocutores da Assembleia afirmam que o objetivo principal não é pressionar o Supremo, mas entender o procedimento adequado para comunicar oficialmente a mudança na linha sucessória.

Questionamento judicial sobre eleição na Alerj

Paralelamente à disputa institucional, o Supremo também deverá analisar um novo questionamento envolvendo a eleição que levou Douglas Ruas à presidência da Alerj. O PDT ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental pedindo a anulação do pleito.

Na ação, o partido sustenta que a votação deveria ter ocorrido de forma secreta, em vez de aberta, como previsto no regimento interno da Assembleia. O caso adiciona mais um elemento de incerteza ao cenário político e jurídico no estado.

Com múltiplas frentes em análise no Supremo Tribunal Federal, a definição sobre quem comandará o governo do Rio de Janeiro segue em aberto, enquanto os diferentes atores políticos buscam alternativas para consolidar suas posições dentro das regras institucionais.

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