Eleições legislativas na Argentina testam força de Javier Milei em meio a escândalos e crise econômica

Renovação parcial do Congresso pode redefinir futuro político do presidente e medir apoio popular após quase dois anos de governo

Os argentinos voltam às urnas neste domingo (26) para renovar parte do Congresso Nacional em uma votação que servirá como um termômetro do governo de Javier Milei. O pleito definirá um terço do Senado (24 de 72 cadeiras) e metade da Câmara dos Deputados (127 de 257 assentos), estabelecendo o equilíbrio de forças até 2027.

De promessa de mudança a perda de popularidade
Quando foi eleito em 2023, Milei simbolizava a ruptura com a política tradicional, prometendo eliminar privilégios e tirar o país da crise. Quase dois anos depois, o presidente conseguiu reduzir a inflação, mas enfrenta forte desgaste. O desemprego aumentou, a economia estagnou e o poder de compra dos argentinos segue em queda.

Escândalos e erros estratégicos desgastam o governo
Nos últimos meses, o governo enfrentou uma série de crises que abalaram sua credibilidade. Entre elas, a polêmica promoção de um criptoativo sem respaldo financeiro e denúncias que envolvem Karina Milei, irmã e braço direito do presidente, em um suposto esquema de propinas na compra de medicamentos. Além disso, erros táticos — como subestimar a força dos governadores locais — fragilizaram o partido A Liberdade Avança em províncias-chave como Córdoba e Santa Fé.

Projeções apontam disputa equilibrada
Analistas políticos preveem três possíveis cenários. Um resultado acima de 40% dos votos nacionais consolidaria Milei e indicaria força para buscar a reeleição em 2027. Um desempenho em torno de 35% seria interpretado como empate, enquanto menos de 30% representaria um revés significativo. Hoje, o governo detém apenas 74 cadeiras na Câmara e 13 no Senado, números que limitam sua capacidade de aprovar reformas estruturais.

Peronismo tenta reagir nas províncias
A principal força de oposição vem do peronismo, reunido na coalizão Força Pátria, liderada pela ex-presidente Cristina Kirchner. O grupo espera recuperar terreno em províncias como Buenos Aires — onde Milei sofreu uma dura derrota em setembro —, além de Tucumán, Formosa e La Rioja. A província de Buenos Aires, sob comando do peronista Axel Kicillof, é considerada o maior desafio para o governo.

Apoio externo e aposta internacional
Em meio à disputa interna, Milei também buscou reforço no cenário internacional. O presidente viajou aos Estados Unidos e se reuniu com Donald Trump, que ofereceu apoio e chegou a interferir, via Tesouro americano, para conter a alta do dólar na Argentina antes das eleições. A ação, no entanto, causou polêmica e foi vista como tentativa de influenciar o resultado eleitoral.

Futuro incerto após as urnas
O governo aposta que uma boa performance nas urnas consolidará o mileísmo e mostrará que sua coalizão, agora ampliada com o partido PRO de Mauricio Macri, é a mais estruturada do país. Já a oposição peronista tenta usar o descontentamento popular e os escândalos recentes para enfraquecer o presidente. O resultado deste domingo será decisivo para determinar se Milei terá fôlego político para continuar impondo sua agenda liberal nos próximos dois anos.

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