Entenda o escândalo de propinas que atinge irmã de Javier Milei e amplia crise política na Argentina

Áudios vazados acusam Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem de receber propinas de farmacêuticas; Justiça investiga e oposição fala em CPI

Um escândalo político de grandes proporções atinge o governo da Argentina desde a semana passada, após a divulgação de áudios em que a irmã do presidente Javier Milei, Karina Milei, é acusada de envolvimento em um esquema de corrupção ligado à compra de medicamentos. O caso, que já é investigado pela Justiça, ameaça a governabilidade do presidente a poucas semanas de disputas eleitorais cruciais no país. As informações são do portal g1.

Karina, que ocupa o cargo de secretária-geral da Presidência e é considerada braço direito do irmão, foi citada por Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis). Em mensagens de voz, Spagnuolo afirmou que ela e o subsecretário de gestão institucional do governo, Eduardo “Lule” Menem, estariam cobrando propina de indústrias farmacêuticas para garantir contratos com a rede pública. “Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”, disse.

Segundo a denúncia, os valores cobrados poderiam chegar a 8% do faturamento das empresas, movimentando até US$ 800 mil por mês, o equivalente a R$ 4,3 milhões. Karina Milei, de acordo com a acusação, ficaria com a maior parte do montante.

A crise estourou na última quarta-feira (20), quando os áudios vieram à tona, e a repercussão foi imediata. No dia seguinte, Spagnuolo foi demitido e a Justiça argentina deflagrou uma operação que incluiu buscas na sede da Andis e na empresa Suizo Argentina, apontada como intermediária no esquema. O caso ganhou ainda mais força porque a denúncia foi apresentada por Gregorio Dalbón, advogado ligado a Cristina Kirchner, ampliando o viés político do escândalo.

Investigações em andamento

Na sexta-feira (22), a Justiça realizou pelo menos 16 mandados de busca. Foram apreendidos celulares, máquinas de contar dinheiro e US$ 266 mil em espécie, cerca de R$ 1,5 milhão. Os aparelhos recolhidos, incluindo o de Spagnuolo, são considerados provas-chave para confirmar ou refutar as acusações.

O processo já tem cinco réus e envolve acusações de corrupção, suborno, administração fraudulenta e violações à ética pública. O juiz federal Sebastián Casanello proibiu os investigados de deixar o país.

Envolvidos no escândalo

Além de Karina Milei e Lule Menem, figuram nas investigações os empresários Emmanuel e Jonathan Kovalivker, da Suizo Argentina. Emmanuel foi encontrado com milhares de dólares em espécie, enquanto Jonathan está foragido. Também foi afastado Daniel Garbellini, diretor da Andis, apontado como elo entre a agência e os irmãos Kovalivker. Em uma das gravações, Spagnuolo o chama de “criminoso” e afirma: “Me designaram um cara que cuida de tudo relacionado aos meus cofres.”

O governo reage

O presidente Javier Milei ainda não comentou diretamente o caso. Limitou-se a aparecer publicamente ao lado da irmã nesta segunda-feira (25), em um gesto de apoio. Durante a aparição, criticou o Congresso e a imprensa, mas evitou mencionar as acusações.

O chefe de gabinete, Guillermo Francos, afirmou que o presidente está “tranquilo” e que se trata de uma perseguição política em meio à campanha. Já Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados e primo de Lule, saiu em defesa dos acusados: “Ponho as mãos no fogo por Lule Menem e Karina Milei”, disse, classificando os áudios como uma “monumental operação política”.

Impactos políticos

A crise surge em um momento delicado. Faltam duas semanas para as eleições na província de Buenos Aires e dois meses para as legislativas. O Parlamento discute a possibilidade de abrir uma CPI para investigar o caso, o que aumentaria ainda mais o desgaste para o governo.

Se confirmadas, as acusações não apenas fragilizariam o núcleo mais próximo do presidente como também minariam o discurso anticorrupção que foi um dos pilares da campanha de Javier Milei à Presidência. Para analistas, a eventual queda de Karina Milei representaria a perda do braço direito do chefe do Executivo e poderia enfraquecê-lo no momento em que mais precisa de capital político.

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