O presidente argentino Javier Milei completa um ano de governo, marcado por aumento da pobreza, fome e crise social. Dados do Observatório Social da Universidade Católica da Argentina (UCA) apontam que 49,9% da população está abaixo da linha da pobreza, totalizando 23 milhões de pessoas, 4 milhões a mais do que em 2023. Entre crianças, a pobreza atinge 65,5%. Além disso, a indigência cresceu 76%, com mais de 6 milhões de pessoas sem condições de adquirir a cesta básica alimentar.
Sob políticas de arrocho fiscal, Milei cortou 24% dos programas de transferência de renda, congelou pensões e subsídios a medicamentos, além de vetar leis que aumentariam os recursos para educação e concederiam ajustes salariais a aposentados. Paralelamente, eliminou subsídios e desregulou a economia, contribuindo para uma inflação de quase 200% e perda de 260 mil postos de trabalho.
Apesar do discurso ultraliberal, Milei reconheceu a crise ao aderir à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, apresentada pelo Brasil no G20. Contudo, críticas permanecem devido ao elevado custo social das medidas econômicas e ao orçamento de 2023, que o governo pretende repetir para 2025 sem avanços no Congresso.
Simultaneamente, o presidente intensificou uma “batalha cultural” contra políticos, jornalistas e a ideia de justiça social, além de ataques ao Estado. Segundo a consultoria Zubán Córdoba, 65,7% dos argentinos percebem aumento do ódio e da intolerância durante sua gestão. Relatório da organização de jornalistas FOPEA registrou 173 ataques à imprensa no primeiro ano de Milei, com predominância de intimidações e violência digital, muitas de origem estatal.
Com informações de ICLNotícias e Brasil de Fato





