A disputa pelo Governo do Rio já movimenta milhões de reais, mas revela diferenças expressivas tanto na capacidade de arrecadação quanto no ritmo dos gastos das campanhas. Douglas Ruas (PL) lidera em recursos recebidos, com R$ 18,3 milhões, seguido por Eduardo Paes (PSD), com R$ 14,3 milhões. Anthony Garotinho (Republicanos) aparece bem atrás dos dois, com R$ 1.115.869,68.
Os dados são das prestações de contas disponíveis no DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como as candidaturas têm datas diferentes de atualização, os números representam retratos das contas enviados à Justiça Eleitoral até cada consulta e podem mudar com novos lançamentos.
Entre os demais candidatos, William Siri (PSOL) recebeu R$ 1.055.420; André Marinho (Novo), R$ 295 mil; Cyro Garcia (PSTU), R$ 120,3 mil; Coronel Busnello (Missão), R$ 100 mil; e Juliete Pantoja (UP), R$ 6.545,19. Nas informações fornecidas sobre Luan Monteiro (PCO), não há valor de receita ou despesa informado.
PL coloca R$ 17,8 milhões em Ruas e PSD e MDB repassam R$ 14 milhões a Paes
Douglas Ruas tem a maior arrecadação entre os candidatos analisados. Dos R$ 18,3 milhões recebidos, R$ 17,7 milhões foram transferidos pela Direção Nacional do PL, correspondendo a 97% da receita. Prisciane Mendes de Araujo Silveira, filha do ex-deputado federal Daniel Silveira, aparece com R$ 500 mil, enquanto o próprio candidato colocou R$ 50 mil em sua campanha.
Apesar do caixa milionário, a prestação de contas de Ruas, atualizada em 3 de setembro, ainda registrava R$ 0 em despesas contratadas e pagas. Não havia fornecedores relacionados.
Paes aparece logo depois. Dos R$ 14,3 milhões recebidos até 5 de setembro, aproximadamente R$ 10 milhões vieram da Direção Nacional do PSD e R$ 4 milhões do MDB. Outros R$ 300 mil foram provenientes de pessoas físicas, a principal delas vinda de Armínio Fraga. Assim, recursos partidários representam 97,9% da arrecadação.
Assim como Ruas, Paes ainda aparecia com R$ 0 em despesas contratadas e R$ 0 em despesas pagas. A ausência de lançamentos, porém, não significa necessariamente inexistência de gastos: as contas refletem aquilo que havia sido informado à Justiça Eleitoral até a atualização.
A comparação mostra a dimensão do investimento das cúpulas partidárias. Somente PL, PSD e MDB já destinaram cerca de R$ 31,8 milhões às candidaturas de Ruas e Paes.
Garotinho recebe R$ 1,1 milhão e começa a gastar com redes e eventos
A estrutura financeira de Anthony Garotinho é consideravelmente menor. Até 1º de setembro, a campanha havia recebido R$ 1.115.869,68. O Republicanos respondeu por R$ 1.100.685,58, ou 98,64% da arrecadação.
Outros R$ 15.184,10 vieram de pessoas físicas. Entre os doadores citados estão Nilo Sergio Dias Passos, Weslley Mendes Gomes, Monica Cristina S. F. Fernandes e Claudio Soares Fernandes.
Garotinho já havia contratado e pago R$ 13 mil. Desse total, 76,92% foram destinados à DLocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., para impulsionamento de conteúdo, e 23,08% à OG Barreto Festas e Eventos Ltda., para eventos de promoção da candidatura.
A movimentação financeira ocorre em meio à disputa judicial envolvendo sua candidatura. No fim de agosto, o TRE-RJ restringiu o acesso de Garotinho aos fundos eleitoral e partidário e à propaganda gratuita enquanto o registro aguardava julgamento. O candidato afirmou que continuaria em campanha e buscaria reverter as decisões.
Siri já contratou R$ 354 mil; veja as contas dos demais candidatos
William Siri apresenta o maior volume de despesas entre os candidatos cujos gastos foram informados. Dos R$ 1.055.420 arrecadados até 5 de setembro, R$ 1 milhão veio da Direção Nacional do PSOL e R$ 55.420 de pessoas físicas. A campanha contratou R$ 354.450,31 e havia pago R$ 99.769,31.
Os principais gastos de Siri são com serviços de terceiros (31,32%), advocacia (16,93%), impulsionamento (14,11%), locação de imóveis (13,10%) e materiais impressos (10,20%). Flex Marketing Direto Ltda., Flora, Matheus e Mangabeira Sociedade de Advogados, Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., Marcio Dutra Gonçalves e Color Set Indústria Gráfica Ltda. aparecem entre os principais fornecedores.
André Marinho arrecadou R$ 295 mil exclusivamente de pessoas físicas. Wagner Madruga do Nascimento responde por 54,24% dos recursos, Marcio Drummond Sequeiros Tanure por 35,59% e Sergio Leite de Andrade Filho por 8,47%. Dos R$ 12.053,05 já contratados e pagos, 99,56% foram destinados ao impulsionamento de conteúdo.
Cyro Garcia recebeu R$ 120 mil da Direção Nacional do PSTU e R$ 300 pela internet, doados por Marcelo Cezar Medici. Dos R$ 57 mil contratados, 61,40% são referentes a serviços advocatícios, 21,05% a serviços de terceiros e 17,54% à contabilidade. Até a atualização citada, nenhuma dessas despesas aparecia como paga.
Coronel Busnello recebeu R$ 100 mil exclusivamente da Direção Nacional do Missão. Até 7 de setembro, havia contratado e pago R$ 30.770,37, principalmente com pessoal (66,79%) e locação de imóveis (32,03%).
Juliete Pantoja arrecadou R$ 6.545,19 por financiamento coletivo e gastou R$ 1.938,33. Desse total, 92,86% foram destinados à publicidade por carros de som, contratada com J. M. C. Reis Serviços de Auto Falante e Panfletagem.
Já os dados fornecidos sobre Luan Monteiro, do PCO, informam apenas o teto de R$ 17.788.806,16 para despesas no primeiro turno e de R$ 8.894.403,08 em eventual segundo turno, sem apresentar valores já arrecadados ou gastos.
As diferenças entre as campanhas são expressivas. Enquanto Ruas e Paes, juntos, já concentram R$ 32,638 milhões em receitas declaradas, candidatos como Busnello, Cyro e Juliete trabalham até agora com uma fração desse montante. Ao mesmo tempo, Siri é quem apresenta a estrutura de despesas contratadas mais avançada entre os números disponibilizados.







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