Eduardo Bolsonaro dribla bloqueio da Câmara, mas tem voto anulado

Mesmo proibido de votar fora do Brasil, Eduardo Bolsonaro usou o sistema e-Cédula para registrar votos nos vetos de Lula, levando o Congresso a anular a ação e reacendendo o debate sobre votação remota de deputados

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), impedido de votar na Câmara desde agosto, voltou a provocar turbulência política ao aparecer como participante da sessão que derrubou vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi revelada pelo g1 e levou o presidente do Congresso, David Alcolumbre, a anunciar a imediata anulação do voto em plenário.

Eduardo está com o acesso bloqueado ao Infoleg, sistema oficial de presença e votação da Câmara. A Mesa Diretora determinou que parlamentares não podem votar do exterior — salvo em missão oficial — após casos envolvendo Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, ambos também fora do país. Mesmo assim, o deputado conseguiu registrar seu voto por meio de outro sistema interno, o e-Cédula, usado especificamente para votações em sessões conjuntas do Congresso.

O e-Cédula funciona de forma independente do Infoleg, o que permitiu a brecha. Cada parlamentar recebe login e senha e faz o envio da cédula digital de votação conforme a orientação da liderança partidária. No caso do PL, todos receberam um gabarito sobre como votar nos vetos presidenciais. Técnicos ouvidos pelo g1 explicaram que, ao enviar a cédula, a presença também é registrada — mas Eduardo não apareceu como presente nos sistemas do Senado e da Câmara, o que levantou o alerta.

Assim que o caso veio à tona, Alcolumbre determinou que o voto fosse descartado. Em plenário, afirmou que a decisão da Câmara sobre a impossibilidade de votar do exterior também vale para sessões do Congresso Nacional.

A situação reacende um problema que se arrasta desde o início do ano. Vivendo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro tenta exercer o mandato remotamente. Até julho, esteve em licença, o que impedia a contagem de faltas. Ao retornar, passou a acumular ausências não justificadas. Em 2025, faltou a 52 das 67 sessões — índice de 77,6%. Pela Constituição, um deputado perde o mandato se faltar a um terço ou mais das sessões no ano. A análise, no entanto, só deve acontecer em 2026.

Enquanto isso, o PL tenta administrar o desgaste interno e o efeito dominó na votação de vetos importantes, como os relacionados ao licenciamento ambiental.

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