O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta sexta-feira (14) que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tenta impedir que a direita conquiste maioria no Senado em 2026. A declaração ocorre após a Primeira Turma da Corte formar maioria para recebê-lo como réu sob acusação de coação.
Além de Moraes, votaram pelo recebimento da denúncia os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. A ministra Cármen Lúcia ainda tem até o dia 25 para apresentar seu voto.
Deputado fala em perseguição política
Eduardo Bolsonaro, que planejava disputar o Senado no próximo ano, voltou a acusar Moraes de perseguição política. Segundo ele, o caso seria uma distorção das sanções impostas pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump — medidas que, afirma, não estavam sob sua responsabilidade.
“Como crime de coação exige meio ilícito, e a Lei Magnitsky é um instrumento legal dos EUA, não poderia ser acusado disso. Magnitsky eu não assino”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais.
O deputado também afirmou que o ministro estaria “usando política dentro do tribunal para limar a possibilidade de a direita ter maioria no Senado”.
Comparação com o caso de Jair Bolsonaro
Em entrevista à CNN, Eduardo comparou sua situação à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e cumprindo prisão domiciliar. Classificou o processo como “gambiarra jurídica” e disse que vê uma tentativa de torná-lo inelegível.
“Já fizeram isso com o meu pai e agora querem fazer comigo”, afirmou.
Acusação envolve articulações nos EUA
Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo foram denunciados pela PGR sob a acusação de articular ações com integrantes do governo dos Estados Unidos para interferir em processos envolvendo Jair Bolsonaro no STF.
Para o procurador-geral Paulo Gonet, os atos configurariam crime de coação ao tentar favorecer interesses no processo judicial brasileiro usando pressão externa.
Processo desmembrado e novas etapas
O caso foi desmembrado: Eduardo foi intimado por edital após, segundo Moraes, dificultar o andamento da ação; Figueiredo, que vive nos EUA há mais de uma década, será notificado por cooperação internacional.
A PGR afirma que ambos utilizaram sua rede de contatos no governo Trump para tentar influenciar decisões do Supremo.
Nesta fase, o STF avalia se há indícios mínimos para abertura da ação penal. Com a confirmação da maioria formada hoje, Eduardo Bolsonaro se tornará réu e responderá aos crimes apontados pela Procuradoria.






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