O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, criticou nesta segunda-feira declarações do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre a atuação da gestão anterior da instituição no caso envolvendo o Banco Master. Para Edinho, a ausência de indícios apontada pelo atual comando do BC não encerra o tema, especialmente diante de investigações em andamento na Polícia Federal e no Ministério Público.
Em entrevista à Record News, o dirigente afirmou que o Banco Central também deve conduzir apurações próprias sobre o período em que a autoridade monetária foi comandada por Roberto Campos Neto. Segundo ele, eventuais responsabilidades devem ser analisadas à luz dos desdobramentos das investigações.
“O Banco Master foi autorizado a funcionar durante o governo Bolsonaro, na gestão de Campos Neto, com várias operações autorizadas pelo Banco Central. Se o Master existe e provocou operações fraudulentas, a reponsabilidade é do governo Bolsonaro e do Campos Neto. Nesse cenário, como você pode isentar alguém?”, questionou.
Declaração do BC e controvérsia
A manifestação de Edinho ocorre após declaração de Galípolo na última quarta-feira, durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. Na ocasião, ele afirmou que não há evidências de que Campos Neto tenha atuado para favorecer o Banco Master ou seu controlador, Daniel Vorcaro.
Ao responder questionamentos do senador Fabiano Contarato, Galípolo destacou que a atuação do Banco Central segue procedimentos técnicos e legais, inclusive em decisões como a eventual liquidação de instituições financeiras.
“A sindicância (do BC) que foi feita não encontrou nada nesse sentido — afirmou Galípolo. E continuou: “Eu cheguei em janeiro de 2025, tive que seguir todos os ritos para que estivéssemos bem calçados e ainda estou respondendo a processos de órgãos de controle sobre se a liquidação não foi feito de forma precipitada. Tem essa dificuldade de passar por todo rito para evitar questionamentos”.
Pressão por investigações e responsabilização
Apesar da posição do Banco Central, Edinho argumenta que qualquer avaliação definitiva sobre o caso deve aguardar o avanço das investigações. Ele citou ainda o envolvimento de ex-integrantes da autoridade monetária, como Paulo Souza e Belline Santana, afastados por suspeitas de ligação com Vorcaro, em decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
A discussão ganhou dimensão política dentro do governo federal. Segundo informações de bastidores, a estratégia de vincular o episódio à gestão anterior foi debatida em reuniões no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes da equipe ministerial.
Críticas ao Banco Central e reação no Congresso
O tema também provocou reação no Congresso Nacional. O deputado Lindbergh Farias criticou o que chamou de postura corporativista dentro do Banco Central e defendeu o aprofundamento das investigações.
“No mínimo, tem um corporativismo do Banco Central, porque ele [Galípolo] disse que não tinha nada em auditorias e sindicâncias. Sinceramente, eu acho que essa postura dele joga luz sobre todo o Banco Central. A Polícia Federal tem que investigar tudo, quem está protegendo quem, como foi feito. Acho que só existe esse caminho”, disse o deputado.
Campos Neto foi indicado ao comando do Banco Central pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019, permanecendo no cargo até 1º de janeiro de 2025. Durante sua gestão, a autoridade monetária foi alertada por diferentes agentes do sistema financeiro sobre o crescimento acelerado do Banco Master.
Entre os alertas, estão comunicações do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e manifestações de executivos de grandes instituições financeiras, que apontaram preocupações com a expansão da instituição antes de sua liquidação, ocorrida em novembro do ano passado em meio a suspeitas de irregularidades.
O caso segue sob investigação e deve continuar no centro do debate político e econômico nas próximas semanas.






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