Uma investigação da Polícia Federal revelou detalhes de um suposto esquema internacional de fornecimento de armas para o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país. Conversas interceptadas com autorização judicial apontam que o traficante Arnaldo Ribeiro, preso nesta semana no Suriname, mantinha contato direto com integrantes da cúpula da organização criminosa para negociar a venda de fuzis.
De acordo com a PF, as mensagens e áudios obtidos durante a investigação mostram tratativas envolvendo altos valores e pagamentos por transferências bancárias. Entre os interlocutores estariam Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, e Rosemberg Gomes, o Berg, identificado pelos investigadores como tesoureiro da facção.
Negociações detalhadas
Em uma das conversas analisadas pela Polícia Federal, criminosos discutem o envio de recursos para a compra de armamentos. Segundo os investigadores, um pagamento inicial de R$ 150 mil teria sido destinado à aquisição de um lote de armas.
As interceptações também revelam preocupações dos envolvidos com limites bancários e a conclusão das transferências financeiras. Em outra frente da investigação, vídeos apreendidos mostram diversos fuzis alinhados e sendo apresentados para possíveis compradores. A PF afirma que as imagens teriam sido gravadas pelo próprio Arnaldo Ribeiro.
Encomenda de AK-47
Segundo a apuração policial, o Comando Vermelho teria encomendado pelo menos dez fuzis do tipo AK-47. Em vídeos compartilhados entre os investigados, aparecem comparações entre diferentes modelos de armamentos, com destaque para características técnicas, acabamento e acessórios.
Para a Polícia Federal, esse material foi fundamental para comprovar a ligação entre o fornecedor de armas e integrantes da estrutura de comando da facção.
Prisão no Suriname
Arnaldo Ribeiro foi localizado e preso em uma mansão na cidade de Paramaribo, capital do Suriname. A investigação aponta que ele teria movimentado mais de R$ 150 milhões por meio do esquema de tráfico internacional de armas.
A esposa dele, Denise Moura, também foi presa. Segundo a PF, ela atuava na logística e na movimentação financeira da organização, sendo responsável por transações que ultrapassariam R$ 26 milhões.
Após a prisão, o casal foi extraditado para o Brasil e recebeu voz de prisão ao desembarcar no Aeroporto de Belém, no Pará.
Foragidos continuam sendo procurados
A operação também resultou no cumprimento de outros mandados de prisão contra suspeitos de participação no esquema financeiro e de intermediação das negociações de armas.
Apesar do avanço das investigações, Doca não foi localizado e continua foragido. Conforme a Polícia Federal, ele possui cerca de 270 anotações criminais e mais de 30 mandados de prisão em aberto. Outras oito pessoas investigadas também seguem sendo procuradas pelas autoridades.






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