O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (19) que o escândalo envolvendo o Banco Master tem origem em decisões tomadas durante o governo de Jair Bolsonaro e sob a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. A declaração foi feita durante evento em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Segundo Lula, a autorização concedida em 2019 para a transferência de controle do então Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Master — é o ponto de partida das irregularidades investigadas. O presidente associou o caso diretamente às gestões anteriores e disse que o governo atual não deixará de apurar responsabilidades.
— Esse Banco Master é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Campos Neto. E não deixaremos pedra sobre pedra. Se a gente não tiver cuidado, vão tentar dizer que fomos nós. Esse banco nasceu em 2019, quem reconheceu foi o Roberto Campos Neto, e todas as falcatruas foram feitas por ele — alegou o petista. Campos Neto, até o momento, não é apontado como investigado pela PF.
O principal nome ligado ao caso é o empresário Daniel Vorcaro, que está preso na sede da Polícia Federal, em Brasília. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras relacionado à instituição.
Alertas ignorados e crescimento suspeito do banco
Apesar de não ser investigado formalmente, Campos Neto teria sido alertado ao longo dos anos sobre o crescimento acelerado do Banco Master e a presença de ativos considerados de risco. As advertências teriam partido do Fundo Garantidor de Créditos, que enviou comunicados apontando inconsistências.
De acordo com as investigações, há suspeitas de que servidores de carreira do Banco Central tenham favorecido o empresário. Ambos já foram afastados de suas funções enquanto o caso segue sob apuração.
O banco foi liquidado em novembro de 2025, já durante a atual gestão do BC, presidido por Gabriel Galípolo. A medida ocorreu após a identificação de problemas estruturais e possíveis irregularidades.
Pressão política e desgaste no governo
As declarações de Lula ocorreram em meio a críticas enfrentadas pelo governo, principalmente após a oposição explorar supostas relações entre o empresário investigado e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
O tema ganhou força nas redes sociais e tem sido usado como principal argumento político contra o governo nas últimas semanas. Lula rebateu as críticas e afirmou que há uma tentativa de atribuir à atual gestão responsabilidades que seriam anteriores.
O presidente também criticou o ambiente político nacional, classificando-o como deteriorado e marcado por práticas inadequadas em diferentes partidos.
Lula defende investigação e critica CPI do INSS
Durante o discurso, Lula afirmou que o próprio governo foi responsável por identificar irregularidades na Previdência, com atuação da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal. Ele criticou a condução da CPI do INSS, que investiga descontos indevidos em aposentadorias.
Segundo o presidente, há inversão de papéis no debate político, com o governo sendo alvo mesmo após ter iniciado as investigações.
Ele também sinalizou a intenção de retomar estratégias políticas simbólicas, como o lançamento de candidaturas em locais ligados à classe trabalhadora.
Haddad é lançado pré-candidato ao governo de São Paulo
O evento também marcou o anúncio da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. A decisão repete a estratégia eleitoral de 2022, quando Haddad chegou ao segundo turno.
O lançamento ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, local histórico para o Partido dos Trabalhadores. A escolha reforça o simbolismo político da trajetória de Lula e do partido.
Haddad afirmou que entra na disputa com o objetivo de vencer e destacou a importância de apresentar propostas consistentes para o estado. Ele também defendeu um debate eleitoral firme, mas focado em propostas para a população.
O evento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros do governo federal.






Deixe um comentário