Quem caminha pelo Boulevard Olímpico, diante da imensidão da Baía de Guanabara, é imediatamente atraído pela imponência do Edifício Touring. Os traços art déco projetados em 1926 pelo francês Joseph Gire — o mesmo criador do Copacabana Palace — anunciam a importância histórica da construção que, por décadas, abrigou o Touring Club do Brasil. Agora, quase cem anos depois, o prédio se prepara para um novo ciclo, desta vez movido pelos sabores, drinks e experiências culturais que prometem revitalizar as noites da região portuária.
Segundo reportagem do jornal O Globo, no dia 6 de dezembro o edifício reabrirá as portas totalmente renovado como o mais novo polo gastronômico do Grupo Belmonte, que ocupará três andares com restaurantes, bar, coquetelaria e até música eletrônica. A vista panorâmica para a baía — com o Museu do Amanhã, o MAR, o AquaRio e a Yup Star como vizinhos — é parte essencial da nova proposta.
Arquitetura que une o novo e o histórico
O edifício está na fase final de pintura e acabamentos. O conceito arquitetônico é assinado por Leo Oliveira, enquanto o design de interiores leva a assinatura de Ricardo Medrano. A presença marcante do mar — visível de praticamente todos os ambientes — norteia todo o projeto.
Na entrada principal, voltada para a Praça Mauá, um playground de madeira inspirado em embarcações marítimas recepciona os visitantes. No térreo, a área externa receberá o tradicional restaurante japonês Azumi, adquirido pelo grupo no ano passado, agora instalado em uma estrutura metálica preta e de vidro com vista para a Ponte Rio–Niterói.
O térreo também abriga o bar Belmonte, carro-chefe do grupo. No segundo andar funcionará o italiano Il Piccolo, e no terceiro piso, o Acervo Gastrobar, dedicado à coquetelaria e à música.
Preservação de detalhes originais
Apesar das novidades — como o banheiro do terceiro piso, que será inteiramente vermelho psicodélico — parte do edifício mantém elementos originais do projeto de 1926. O piso hidráulico do salão principal, onde funcionará o Belmonte, foi restaurado e preservado. Os lustres de cristal originais foram minuciosamente recuperados e voltarão a brilhar sobre as chopeiras polidas do bar.
Para acessar o terceiro andar, o visitante poderá usar o elevador original, restaurado e atualizado, à espera apenas da pintura final. Em todos os espaços, a vista generosa para a Baía de Guanabara, a Ponte Rio–Niterói e o entardecer promete ser um dos grandes atrativos.
Complexo anexo e transporte gratuito
O empreendimento contará ainda com um anexo voltado ao entretenimento: um bar à beira da baía e uma boate de 980 metros quadrados. Para facilitar o acesso, o grupo pretende disponibilizar, nos fins de semana e feriados, cerca de dez ônibus partindo de pontos da Zona Sul e da Zona Norte em horários pré-definidos, sem custo para os visitantes — mediante agendamento.
Símbolo do modernismo e do rodoviarismo
De acordo com o historiador Rafael Mattoso, o Edifício Touring é um “ícone do modernismo e do rodoviarismo no Rio”. Tombado pelo Inepac desde 1965, o prédio é um dos mais antigos exemplares de art déco da cidade.
Mattoso explica que o Touring simbolizou uma época de transição e otimismo no período pós-Primeira Guerra Mundial, quando o Brasil começava a se alinhar às ideias de modernização vindas dos Estados Unidos, impulsionadas pelo fordismo e pelo avanço do automóvel.
Ser sócio do clube era um símbolo de status. Quem tinha carro e ostentava o emblema do Touring demonstrava poder de consumo e prestígio. Agora, o prédio que já foi referência do turismo rodoviário ganha nova vida como destino gastronômico, cultural e de lazer, tornando-se peça importante da revitalização da Zona Portuária e da reconexão dos cariocas com o Centro.






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