Reformado após uma década, Palácio Capanema reabrirá ao público no dia 20 de maio

Ícone da arquitetura modernista mundial, edifício no Centro do Rio abrigará acervos culturais, atividades do MinC e um restaurante com vista para a cidade

Após mais de dez anos fechado para obras, o Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, será reaberto ao público no próximo dia 20 de maio. O edifício, um dos marcos da arquitetura modernista brasileira, passou por uma ampla reforma que modernizou suas instalações e preservou elementos históricos, como os jardins de Burle Marx e o mobiliário original.

Na manhã desta terça-feira (7), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, visitou o espaço acompanhada de autoridades ligadas ao setor: o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass; a presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella; o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi; e o secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares.

O projeto de restauração contemplou desde a recuperação de áreas externas até a modernização de sistemas internos, incluindo instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias e de combate a incêndios. Os jardins e o mobiliário de Burle Marx também foram restaurados, preservando o legado paisagístico do prédio.

Nova vocação cultural

A reabertura do Capanema marca uma nova fase para o edifício, que terá 60% de sua área dedicada a atividades culturais e os 40% restantes voltados à administração pública, especialmente do MinC e de instituições vinculadas.

Segundo o plano de ocupação, o quarto andar do prédio abrigará cerca de 100 mil itens da biblioteca Euclides da Cunha, hoje parte da Fundação Biblioteca Nacional. O acervo incluirá livros raros e documentos relacionados à história da música brasileira, contribuindo para transformar o local em um centro de referência cultural.

A partir do segundo semestre, o terraço do Capanema também ganhará um restaurante com espaço ao ar livre e vista privilegiada para o Centro do Rio. A proposta é aliar gastronomia, cultura e preservação histórica em um único espaço aberto à visitação pública.

Símbolo do modernismo brasileiro

Tombado pelo Iphan, o Palácio Gustavo Capanema foi construído entre 1937 e 1945, em pleno Estado Novo, para sediar o então Ministério da Educação e Saúde Pública. Com 16 andares, o edifício é reconhecido internacionalmente como um dos maiores símbolos da arquitetura modernista.

Seu projeto foi concebido por um grupo de jovens arquitetos liderados por Lucio Costa, com a participação de Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos, além da consultoria do franco-suíço Le Corbusier. O prédio incorpora inovações técnicas e estéticas que influenciaram gerações de arquitetos no Brasil e no mundo.

Com a reabertura, o Capanema volta a ocupar seu papel de protagonista na vida cultural e política do país, agora com espaços renovados e acessíveis ao público.

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