Capanema reabre ao público com presença de Lula, premiação cultural e novo espaço para visitação

Após restauração de R$ 84 milhões, Palácio Gustavo Capanema volta a ser símbolo da cultura brasileira com áreas abertas ao público e entrega da Ordem do Mérito Cultural

O Palácio Gustavo Capanema, marco da arquitetura moderna no Brasil e ícone do patrimônio cultural nacional, será reaberto nesta terça-feira (20) ao público no centro do Rio de Janeiro, após seis anos de restauração. A cerimônia de reabertura contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que também liderarão a retomada da Ordem do Mérito Cultural, premiação que não era concedida desde 2018. Ao todo, 111 personalidades e 14 instituições serão homenageadas por sua contribuição à cultura nacional.

De acordo com a ministra Margareth Menezes, o retorno da condecoração “é o reconhecimento da cultura enquanto alicerce para a democracia e para a construção de um país mais inclusivo e diverso”.

Inaugurado entre 1937 e 1945, o Capanema foi projetado por um time que reunia nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Jorge Moreira, com consultoria do arquiteto suíço-francês Le Corbusier e paisagismo de Roberto Burle Marx. O prédio, de 16 andares e 27 mil metros quadrados, foi originalmente sede do então Ministério da Educação e Saúde Pública.

A recuperação do edifício foi coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com financiamento de R$ 84,3 milhões do Novo PAC. A obra incluiu restauro de móveis, pisos, luminárias, jardins, além de instalação de novos sistemas elétricos, hidráulicos, sanitários e de segurança. O projeto também precisou adaptar soluções tecnológicas às exigências do tombamento histórico do prédio.

Ubirajara Mello, superintendente da Concrejato, empresa responsável pelas obras, destacou os desafios enfrentados desde 2019, como mudanças de governo e a pandemia da covid-19, que paralisou temporariamente a obra. “O maior desafio mesmo foi adequar esse prédio para os dias de hoje. Em termos de instalação, tudo foi trocado e colocamos um sistema de ar-condicionado que não havia antes”, explicou.

A recuperação estética seguiu parâmetros rigorosos. O “azul Lúcio Costa”, cor idealizada pelo arquiteto ao observar as torres da Igreja de Santa Luzia, foi recriado manualmente por ele em reforma anterior e mantido nesta nova restauração. “É o azul que ele perseguiu para trazer das torres da igreja barroca para o interior deste prédio”, lembrou Andrei Rosenthal Schlee, diretor do departamento de patrimônio material do Iphan.

O edifício abrigará novamente instituições do Ministério da Cultura, como a Biblioteca Euclides da Cunha, vinculada à Biblioteca Nacional, com acervo de partituras de nomes como Pixinguinha e Tom Jobim. O Escritório de Direitos Autorais (EDA), a Casa de Rui Barbosa e a Funarte também ocuparão o local. Segundo Leandro Grass, presidente do Iphan, cerca de 60% do prédio será destinado ao uso cultural, com áreas abertas ao público, visitas escolares e programação artística. Um café e restaurante no terraço devem ser inaugurados no segundo semestre.

O painel de azulejos de Cândido Portinari, os jardins de Burle Marx e os móveis originais de Oscar Niemeyer estão entre os elementos preservados.

Símbolo de resistência cultural, o Palácio foi palco do movimento Ocupa MinC em 2016, que protestou contra a extinção do Ministério da Cultura. Em 2021, foi novamente defendido por artistas e ativistas após o governo federal cogitar sua venda, posteriormente retirada de pauta.

A arquiteta Janaína Genaro, da Concrejato, que liderou a equipe de obra, celebrou o aprendizado proporcionado pelo projeto. “É uma experiência única estar envolvida nesse projeto. A gente começa a entender nos detalhes como os arquitetos que idealizaram pensaram este prédio. É enriquecedor”, afirmou.

Com a reabertura, o Capanema reafirma seu papel como patrimônio vivo da cultura, da memória e da arquitetura brasileira.

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