Economia do mar ganha marco para orientar investimentos e certificações no Rio

Sistema estadual vai identificar, monitorar e classificar atividades relacionadas ao ambiente marinho e costeiro

Com mais de 600 quilômetros de litoral e uma economia fortemente conectada às atividades marítimas, o Rio de Janeiro deu mais um passo para estruturar políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável do oceano. A Assembleia Legislativa (Alerj) aprovou em segunda discussão, nesta terça-feira (23), uma proposta que autoriza a criação de uma taxonomia estadual para a chamada economia do mar.

A iniciativa, prevista no projeto de lei 3.230/24, da deputada Célia Jordão (PSD), estabelece um sistema de classificação destinado a identificar, organizar e acompanhar atividades econômicas ligadas ao ambiente marinho e costeiro. Com a aprovação em segunda discussão, a matéria segue para análise do governador.

A proposta busca criar parâmetros para orientar investimentos, incentivar práticas sustentáveis e ampliar o conhecimento sobre setores econômicos que dependem diretamente dos recursos oceânicos.

Como funcionará o sistema

Pelo texto aprovado, a taxonomia estadual funcionará como uma ferramenta oficial de classificação de projetos, empreendimentos e atividades vinculadas à economia do mar.

O sistema permitirá categorizar iniciativas de acordo com critérios técnicos e socioambientais previamente definidos, identificando o grau de alinhamento de cada atividade com práticas de sustentabilidade e conservação dos recursos naturais.

A responsabilidade pela regulamentação ficará a cargo da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, que deverá estabelecer os indicadores e parâmetros necessários para o enquadramento das atividades econômicas.

Critérios para certificação

Entre os aspectos que poderão ser avaliados estão o uso sustentável dos recursos marinhos, a preservação dos ecossistemas costeiros, a eficiência energética, a redução da poluição, a proteção da biodiversidade e a promoção da inclusão social.

A proposta também prevê a emissão de certificados de sustentabilidade para empreendimentos e iniciativas que cumprirem os critérios estabelecidos pelo sistema estadual.

A expectativa é que a certificação sirva como referência para investidores, empresas e órgãos públicos interessados em desenvolver atividades ligadas à chamada economia azul, conceito que reúne setores econômicos associados ao uso sustentável dos recursos oceânicos.

Monitoramento permanente

Além da classificação e certificação, o texto estabelece a criação de mecanismos permanentes de monitoramento para acompanhar o cumprimento das exigências previstas na taxonomia.

Segundo a proposta, o acompanhamento contínuo permitirá verificar se os empreendimentos permanecem alinhados aos critérios que justificaram seu enquadramento no sistema.

A medida também busca ampliar a transparência das atividades relacionadas ao oceano e fornecer informações que possam auxiliar na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do litoral fluminense.

Para os defensores da iniciativa, a criação de uma taxonomia estadual poderá contribuir para organizar informações sobre a economia do mar, estimular boas práticas ambientais e fortalecer setores que possuem relevância estratégica para o desenvolvimento econômico do Estado do Rio de Janeiro.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading