Durigan diz confiar em Jaques Wagner e liga escândalo do Master à gestão de Campos Neto

Ministro da Fazenda diz confiar em líder do governo no Senado, afirma que ele vai se explicar e volta a associar origem das fraudes à expansão do banco na gestão anterior do BC

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou confiança no senador Jaques Wagner (PT-BA) após a deflagração de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. Wagner figura entre os alvos das diligências autorizadas pela Justiça e realizadas nesta quinta-feira pela Polícia Federal.

Em entrevista ao portal Metrópoles, Durigan afirmou acreditar que o líder do governo no Senado terá condições de apresentar esclarecimentos sobre os fatos investigados e exercer plenamente seu direito de defesa.

“Eu confio e gosto muito do Jaques, acho que ele tem que ter a oportunidade de se explicar, de se defender. E confio que ele vá poder fazer isso”, disse.

A declaração foi dada em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura um amplo esquema envolvendo suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e relações entre empresários, agentes públicos e o Banco Master.

Defesa do senador e reação do governo

Ao comentar o caso, Durigan procurou separar a situação do senador das investigações em curso e ressaltou que o devido processo legal deve ser respeitado.

O ministro voltou a afirmar que o governo federal adotou medidas para impedir que o Banco Master fosse beneficiado por alterações legislativas e mecanismos que poderiam ampliar sua capacidade de captação de recursos.

Sem citar diretamente adversários políticos, ele fez referência ao período anterior ao governo Lula e mencionou iniciativas que, segundo sua avaliação, teriam favorecido a instituição financeira.

Entre os episódios citados está uma proposta de ampliação dos limites de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. Ciro também aparece entre os nomes investigados no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master.

Durigan argumentou que a equipe econômica do governo trabalhou para barrar mudanças que poderiam trazer benefícios à instituição financeira.

Críticas à expansão do Banco Master

Durante a entrevista, o ministro também voltou a defender a tese apresentada anteriormente pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que o caso envolvendo o Banco Master representa um dos maiores escândalos já registrados no sistema financeiro nacional.

Segundo Durigan, as origens do problema remontam ao processo de transformação e expansão do banco a partir de 2019, quando Daniel Vorcaro recebeu autorização do Banco Central para assumir o controle da instituição.

“Eu estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques vai prestar os esclarecimentos devidos para a Justiça”, reforçou.

Na avaliação do ministro, os fatos que hoje estão sob investigação começaram a ser estruturados durante o período em que o Banco Master ampliou sua atuação no mercado financeiro.

“O escândalo do Banco Master, que, segundo o ex-ministro Fernando Haddad e eu concordo com ele, é um dos maiores escândalos do nosso sistema financeiro, tem um nascedouro, que foi a autorização em 2019 para o Daniel Vorcaro instituir e formar o banco. E todas as aquisições que foram feitas, a expansão do negócio e a aquisição de carteiras de 2019 a 2024, durante a gestão do ex-presidente do Banco Central, certamente, inclusive com ex-diretores (do BC) investigados, alvo de mandados da Justiça, o que mostra que a gente tem que melhorar a supervisão bancária, inclusive não simplesmente no BC, mas com outras instituições.”

Investigação avança sobre agentes públicos

A nova fase da Operação Compliance Zero ampliou o alcance das investigações e passou a examinar possíveis relações entre o Banco Master, empresários e agentes públicos.

As diligências desta semana incluem mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas cautelares impostas a investigados, como restrições de contato, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico.

Entre os alvos estão Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, apontado como personagem central das investigações.

A Polícia Federal busca esclarecer a natureza de relações financeiras, empresariais e institucionais mantidas por pessoas ligadas ao banco ao longo dos últimos anos.

Debate sobre supervisão financeira

As declarações de Durigan também reforçam um debate que ganhou força desde o início das investigações: o papel dos órgãos de fiscalização e supervisão do sistema financeiro.

O ministro mencionou o fato de ex-dirigentes do Banco Central terem se tornado alvos de investigações, citando especificamente suspeitas envolvendo Paulo de Souza, ex-diretor da autoridade monetária entre 2017 e 2023.

Para o chefe da Fazenda, o caso evidencia a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle do sistema financeiro e fortalecer a integração entre os órgãos responsáveis pela fiscalização.

Enquanto as investigações avançam, o governo acompanha os desdobramentos do caso, que passou a ter repercussão política crescente devido ao envolvimento de parlamentares, empresários e ex-integrantes de instituições reguladoras do mercado financeiro.

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