A Polícia Federal identificou o senador Jaques Wagner (PT-BA) como um “interlocutor relevante” em assuntos de interesse do Banco Master, segundo relatório que embasa a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). A investigação apura suspeitas de que o líder do governo no Senado teria atuado politicamente em favor do banco em troca de vantagens indevidas.
Os elementos reunidos pela PF foram extraídos, principalmente, do celular do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e principal alvo da investigação.
Mensagens embasam suspeitas
De acordo com os investigadores, Augusto Lima mantinha contato frequente com Jaques Wagner sobre temas considerados estratégicos para o Banco Master. Entre os assuntos identificados nas conversas estão a chamada Emenda Master, mudanças no crédito consignado, requerimentos apresentados no Senado, discussões sobre uma CPI envolvendo o banco e a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).
No relatório, a PF afirma que a frequência e o conteúdo das mensagens indicariam uma relação funcional voltada para interesses específicos do grupo econômico.
Segundo os investigadores, Augusto encaminhava ao senador notícias, análises de mercado, informações sobre a estrutura acionária do banco, operações corporativas e matérias legislativas em tramitação.
Emenda Master entra no radar
Um dos principais focos da investigação é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, conhecida como Emenda Master. A proposta previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A Polícia Federal sustenta que a medida beneficiaria diretamente o Banco Master, cuja estratégia de captação estaria baseada em títulos de renda fixa com remuneração acima da média do mercado.
O relatório aponta que, no mesmo dia da apresentação da emenda no Congresso, Augusto Lima realizou uma ligação de aproximadamente nove minutos para Jaques Wagner e, logo depois, encaminhou ao senador um link com informações sobre a proposta.
Dias mais tarde, segundo a investigação, houve novo encontro entre os dois e novo compartilhamento do conteúdo relacionado à PEC.
Crédito consignado e operação BRB
A PF também relaciona o nome do senador a discussões sobre crédito consignado. Os investigadores mencionam a atuação de Jaques Wagner em debates envolvendo alterações legislativas sobre a ampliação da margem consignável para trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais.
Outro ponto destacado é a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Em mensagens encontradas pelos investigadores, Augusto Lima teria informado detalhes da operação ao senador e feito referência ao histórico de relação entre ambos.
Na avaliação da Polícia Federal, os diálogos sugerem que Jaques Wagner não seria apenas um destinatário de informações, mas alguém com participação relevante em assuntos considerados sensíveis para o grupo econômico investigado.
Supostas vantagens investigadas
A investigação apura se a atuação política atribuída ao senador teria sido compensada por benefícios indevidos. Entre os itens citados pela Polícia Federal estão um apartamento em Salvador, transferências financeiras relacionadas a empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar e ingressos para um show da cantora Taylor Swift realizado em 2023.
Até o momento, contudo, Jaques Wagner não foi denunciado formalmente nem figura como réu em qualquer processo relacionado ao caso.
Defesa nega irregularidades
Em entrevista e em nota divulgada após a operação, o senador negou qualquer atuação em favor do Banco Master e afirmou que suas relações com Augusto Lima e outros envolvidos sempre tiveram caráter institucional.
Jaques Wagner argumentou que parlamentares são frequentemente procurados por representantes de setores interessados em matérias legislativas e afirmou que, no caso da ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, sua posição seguiu a orientação do governo federal, que se posicionou contra a proposta.
O senador também declarou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e afirmou confiar que as investigações demonstrarão a legalidade de sua conduta.






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